Por Eduardo Amorim, do PorAqui

Sabe aquele presente maravilhoso que veio numa embalagem simples, que nem dava ideia da importância que ele tinha para quem teve o direito de abrir? É esse o sentimento que se fica depois de conhecer a Vila Mundo, no Espinheiro, na Zona Norte do Recife.

Inspirada em redes de comércio justo como a Welt Lanen (holandesa) e Wereld Winkel (alemã), o cantinho é mais que uma loja de presentes na Rua 48, 76, Loja 2. É um experimento de um novo tipo de "troca" que se renova a cada relacionamento criado com artesãos de várias partes do Brasil.

Essa lojinha é a porta de entrada para os clientes conhecerem também a Bio Fair Trade, primeira empresa do Brasil a conseguir certificação pela Organização Mundial do Comércio Justo (WFTO – World Fair Trade Organization).

(Foto: Divulgação/Vila Mundo)

No início de abril de 2017, a Bio Fair Trade recebeu o selo do Sistema de Garantia (Garantee System) da WFTO. Esse selo permite que os consumidores identifiquem produtos artesanais e alimentos que atendem a rigorosos critérios econômicos, sociais e ambientais. 

Para ter o direito de uso do selo, a empresa social passou por um processo de auditoria para garantir que ela e os grupos produtivos parceiros realmente cumprem com os princípios do Comércio Justo.

Mas onde entra a Vila Mundo nessa história? A loja é uma das estratégias de comercialização da Bio Fair Trade. Lá, é possível encontrar produtos de dezenas de grupos e artesãos do Brasil todo. E o melhor de tudo, os preços são realmente justos, inclusive para os consumidores.

(Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

"A Vila Mundo é a menor parte da Bio Fair Trade", confessa o diretor executivo da empresa de comércio solidário de artesanato, Márcio Waked de Moraes Rego. Mas, nesse pedacinho, já dá para comprar presentes para todas as idades.

Além disso, dá também para conhecer o trabalho de artesãos como o recifense Mestre Adício (foto acima). Ele fabrica. a partir de material reciclado. brinquedos de lata, flores, parques de diversões e mobílias de casinhas. Já o grupo Mulheres de Argila, de Caruaru, faz mochilas, bonecas e brinquedos com sobras de material do polo têxtil do Agreste.

(Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

A Marchetaria Morais fabrica caixas, jogos de tabuleiro e outros produtos em madeira. Um xadrez feito para se levar para viagens, por exemplo, custa R$ 180 na Vila Mundo. Dezenas de unidades do produto foram adquiridas para serem entregues como brindes de luxo para executivos pela Caixa Econômica Federal. 

Detalhe: com as sobras desse trabalho, a esposa do artesão faz bijuterias bem delicadas. 

A venda para brindes já é outra forma de atuação da Bio Fair Trade, que trabalha também como fornecedora para gigantes como Tok Stok e Ferreira Costa. Além disso, é possível também comprar pela internet, neste site.

Mas a dica para os recifenses é realmente visitar a Vila Mundo quando tiver um presente para comprar. Na loja, é possível adquirir desde um artesanato em barro de Caruaru por R$ 8 até uma panela para muqueca original do Espírito Santo por R$ 70.

(Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

A ideia de Márcio Waked é que futuramente a Vila Mundo vire uma franquia e possa chegar a todo o Brasil. Por enquanto, eles já administram uma loja no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (na Praça Tiradentes, Rio de Janeiro).

A "troca" na Vila Mundo começou com o artista plástico local Rafa Mattos e hoje tem relação com diversos artesãos de locais como Rio de Janeiro, Mato Grosso, Amazonas… Por sinal, Márcio Waked está sempre recebendo pessoas interessadas em produzir e terem acesso aos diversos mercados que têm sido trabalhados pela Vila Mundo e também através da Bio Fair Trade.


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