No visual, o cruzamento da Av. Rosa e Silva com a Rua Padre Roma, no bairro da Tamarineira, estava voltando ao normal nesta segunda-feira (27) pela manhã. A marca mais forte de um dos acidentes mais chocantes dos últimos tempos na Zona Norte fica para as duas famílias vítimas da tragédia. Mas quem trabalha no bairro garante que, apesar de ser o fato mais grave ocorrido ali, o local é perigoso e há relatos inclusive de pegas durante a madrugada.

Cícero Nunes administra o prédio que teve sua calçada danificada (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

Administrador do Condomínio Senador Antonio Farias, que teve parte da sua calçada danificada, Cícero Nunes conta que não é difícil ouvir o barulho de veículos em alta velocidade praticando pegas pela área. “Tem um Fusion branco, sem ser o do acidente, que sempre passa por aqui fazendo corrida por volta das 3h da manhã”, denuncia.

Trabalhadoras de uma padaria que fica próxima ao local do acidente contam também que é comum ver motos em alta velocidade por ali.

Já a ambulante Marli Pereira da Silva, que tem um ponto de vendas em frente ao Hospital da Tamarineira, conta que, nos quatro anos em que trabalha na área, nada nem perto da gravidade desse acidente havia acontecido. Por sorte, o máximo que viu foi a batida de um carro de passeio e um táxi que vinha atravessando a Av. Rosa e Silva.

Danos foram pequenos ao edifício, mas condomínio exigirá ressarcimento ao motorista Victor Oliveira (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

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Relembre

Na noite de domingo (26), por volta das 19h30, um motorista alcoolizado dirigindo em alta velocidade causou a morte de duas mulheres, inclusive uma grávida, e deixou outras três pessoas – duas crianças e o pai. O condutor João Victor Ribeiro de Oliveira, de 25 anos, que também saiu ferido, estava embriagado e teve prisão decretada nesta segunda-feira (27).

João Victor dirigia um Ford Fusion (de placa NMN – 3336). No outro carro, uma Toyota RAV4 (de placa OEZ 4943), vinham cinco ocupantes. As duas mulheres ainda foram levadas para o Hospital da Restauração, mas chegaram sem vida.

Maria Emília Guimarães, 39 anos, era funcionária do Tribunal de Justiça. Já Roseana Maria de Brito Souza, de 23 anos, estava grávida e prestava serviços como babá.

O vídeo da colisão e os relatos de testemunhas  mostram que o Ford Fusion estava em alta velocidade quando cruzava a Av. Rosa e Silva. João Victor Ribeiro de Oliveira teve confirmado o nível de alcoolismo de 1,03.

450 mil multas

Só em 2017, o Detran aplicou 450.000 multas a motoristas que dirigiam em alta velocidade. As punições, no entanto, não têm sido eficientes para evitar que cotidianamente pessoas imprudentes realizem atos como os “pegas” naquela área da Zona Norte do Recife.