Em apenas 27 minutos, dois ciclistas fizeram o trajeto entre a Rua do Bom Jesus e o Impact Hub de Casa Forte, na Rua Jacó Velosino (próximo à praça). Já quem foi de ônibus levou mais de duas horas.

Os modais mais lentos de todo o Desafio Intermodal 2017 foram justamente os que utilizaram os coletivos: ônibus e coletivo para pessoas em cadeiras de rodas. O DIM é uma atividade que vem sendo realizada há seis anos para discutir a mobilidade no Recife.

Tendo ajudado na organização de alguns intermodais, inclusive o primeiro realizado em 2012, pela primeira vez eu participei como voluntário no ônibus. O mais impressionante para mim foi ter de esperar 1h21m12s para fazer o percurso entre a Avenida Agamenon Magalhães (no cruzamento com a João de Barros) e o Hospital da Tamarineira.

Nesta parte do trajeto, que passa pelo Espinheiro, Aflitos e Tamarineira, muitos usuários do transporte público chegaram a descer para ir andando.

Bicicletaria Mapuche: pedalar como ato de resistência

Procissão das Bandeiras fez trânsito ficar ainda mais lento na Zona Norte (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

A saga

Acompanhado de Isabel Cavalcanti de Albuquerque, da rede Meu Recife, saí do Impact Hub da Rua do Bom Jesus decidido a pegar o ônibus no mesmo lugar que espero ao sair da sede do PorAqui, no Cais do Apolo. Ela acabou indo para outra parada de ônibus, mas, quando o Dois Irmãos-Rui Barbosa passou, nos encontramos novamente dentro do coletivo.

Aparentemente estávamos com sorte, em menos de dez minutos estávamos os dois no ônibus. Mas ao chegar na Zona Norte, o trânsito simplesmente parou. Na Rua da Hora, chegaram a passar funcionários da Prefeitura do Recife gritando que “a Rosa e Silva está parada”.

A conteudista Paula Melo, também do PorAqui, desceu na Rua da Hora, fez um lanche na Casa do Pará e, ao sair, encontrou nosso ônibus praticamente no mesmo lugar. ?

Local de acidente na Tamarineira é ponto constante de alta velocidade

Mais lenta que nós estava Janaína Barros, que representou os cadeirantes no Desafio Intermodal 2017 (ela está com a perna quebrada). “O pior para a gente foi esperar o ônibus… E ele ia queimar a parada, então eu saí correndo e ela gritando para poder pegar”, contou Raphael de Judá, que foi o acompanhante dela e ajudou empurrando a cadeira durante as partes de caminhada do percurso.

Cacau Sobral foi andando e chegou 40 minutos antes do quem foi de ônibus (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

Derrotada é a cidade

O resultado oficial do Desafio Intermodal 2017 está aqui embaixo. No entanto, a grande derrotada tem sido a mobilidade da nossa cidade.

Em seis anos, aparentemente, o transporte coletivo não melhorou nada e até piorou. Ao mesmo tempo, ainda são mínimos investimentos em alternativas como a bicicleta e volta a ser uma alternativa real cada vez mais pessoas caminharem para chegar ao trabalho, à escola ou para realizar atividades cotidianas.

No resultado oficial, o pedestre correndo acabou sendo o primeiro colocado: Diego da Costa. O Desafio Intermodal leva em consideração questões como o custo, a energia calórica e emissão de poluentes para chegar à classificação.

Em seguida, vieram a bicicleta rápida (Pedro Guedes e Fabiana Turbino) e a bike de passo normal: Fred Maranhão. Confira os detalhes no quadro.