O Casarão da Tamarineira é um imóvel ocupado há mais de 20 anos por 22 famílias, que vêm tendo acompanhamento do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH). É um desses espaços de resistência à especulação imobiliária e ao desenvolvimento urbano predatório da cidade do Recife, aqui pertinho dos bairros dos Aflitos e Espinheiro.

Abandonado há cerca de 30 anos pelos antigos proprietários, foi sendo ocupado num longo processo pelas famílias. No ano de 2011, os moradores sofreram uma tentativa de remoção forçada, impedida pelos próprios moradores e por vizinhos favoráveis à ocupação daquele imóvel.

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Depois disso, surgiu a rede Amigxs do Casarão, composta pelos próprios moradores além de integrantes de movimentos sociais, estudantis e diversas outras pessoas autônomas que somaram esforços acreditando na luta coletiva pela permanência das famílias.

Foto: Divulgação/Amigxs do Casarão

As 20 famílias do Casarão da Tamarineira foram surpreendidas novamente em 2015, por uma arbitrária ordem de interdição do imóvel, pela Prefeitura do Recife. Mesmo com os laudos da Defesa Civil não apresentando riscos suficientes para justificar a desocupação do espaço.

Esta ordem de interdição foi considerada ilegal pelos advogados do CPDH. Mais uma vez os moradores e moradoras resistiram e se negaram a deixar seus lares e o Ministério Público convocou uma audiência com todas as partes interessadas.

Foto: Divulgação/Amigxs do Casarão

Foi proposto que os reparos necessários no imóvel fossem realizados pelos moradores e moradoras com o apoio da rede Amigxs do Casarão, em um prazo muito difícil, tendo em vista a necessidade de conseguir recursos para as famílias que lá habitam. O valor de todos os reparos foi alto para a realidade dessas famílias: R$ 25 mil.

Então, desde o segundo semestre de 2015, a rede Amigxs do Casarão está nesta luta para cumprir as recomendações do laudo do Ministério Público e garantir a dignidade dessas famílias. O prazo fornecido pelo Ministério Público está em vias de se esgotar e ainda não foram concluídos todos os reparos. Agora, uma campanha visa arrecadar os valores restantes para a conclusão das obras exigidas pela Defesa Civil e pelo Ministério Público. Acesse aqui e contribua!