Sertaneja, Carmen Lucia Ayres saiu da pequena Rodelas (BA) aos 19 anos de idade. Estudou em Belém do São Francisco, passou um ano trabalhando em Paulo Afonso, mas fincou raízes no Recife. “A Rua do Espinheiro eu sempre achei linda, aquelas árvores enormes, tranquila e fiquei de olho aqui no bairro desde que surgiu a ideia de montar uma escola”, conta ela, sobre os tempos em que abrir o Saber Viver era apenas um sonho.

Professora no tradicional Colégio Nossa Senhora do Carmo por seis anos, Carmen seguiu os passos da sua irmã Socorro ao vir à capital. Aqui, se tornou alfabetizadora, antes de montar a escola que começou com 30 alunos e hoje tem cerca de 1.000 estudantes.

De família simples, a empresária e educadora pessoalmente recebe os alunos até hoje e neste 8 de março, Dia da Mulher, fará sua homenagem às mães, professoras e funcionárias do Saber Viver.

(foto: Divulgação/Saber Viver)

“A mulher tem que ser guerreira, de fibra”, diz ela, que sabe ter vencido muitos obstáculos. Começou a escola em uma época que, apesar das professoras serem maioria, os diretores eram (quase) sempre homens.

Da pequena casa da Rua do Espinheiro, onde só cabiam as salas do Ninho, Maternal e Infantil, ampliou o colégio, conseguiu adquirir o antigo prédio do Neo na Av. João de Barros e continua e continua sua missão de “educar para a vida, com o ideal de uma sociedade menos padronizada, mais aberta à diversidade e, portanto, melhor”.

Antes disso, ela conta que teve apoio de um primo que lhe incentivou bastante no início, o fundador do Empório Sertanejo da Rua da Hora, Roberto Novaes Ferraz. Conheça mais dessa história do falecido dono de um dos bares mais tradicionais do bairro aqui.

Querido de muitos, Robertinho incentivou Carmen a realizar o Carnaval do Saber Viver e apresentou muitos dos seus amigos, que viriam a se tornar também pais da escola.

(foto: Divulgação/Saber Viver)

Se a escola começou com apenas 700 metros quadrados, hoje as duas unidades somam cerca de 10.000 m2. São mais de 70 salas de aulas e outros ambientes pedagógicos como biblioteca, quadra poliesportiva, salas de informática, laboratório multidisciplinar, refeitório, cantina, salas de dança, judô e multimídia, além das áreas de convivência externa.

E segue para completar 31 anos sem medo da crise que afetou todos os setores da economia brasileira recentemente. Hoje, seu esposo Rinaldo e seus filhos Natália Maniçoba e Rodrigo Ayres também se envolvem no Saber Viver. Carmen, no entanto, é a garantia de que a escola permanecerá “tendo o afeto como principal insumo e o respeito à vida como valor inegociável. Esse foi o real começo da história do Colégio Saber Viver”.


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