"As vezes eu chego de carro e nem preciso descer, ele já sabe as frutas que quero", explicou uma motorista enquanto passava pela banca de Alexandre da Silva. Ele tem um ponto de comércio a 17 anos na frente do Banco do Brasil da Rua da Hora. 

Se nesse mercado muito mudou nesse período com a chegada de grandes empresas como a Frutaria e o crescimento da procura por produtos orgânicos, o comerciante garante que não sofreu e continua contando com sua clientela fiel.

"O preço dessas lojas é muito diferente do meu, vendo no preço popular e tenho minha freguesia. E só vendo frutas selecionadas. Todo dia estou na Ceasa às 4h da manhã escolhendo. Então não abala", conta Alexandre, questionado sobre uma loja que abriu próximo ao ponto onde instala diariamente seu negócio. 

Por sinal, ele conta com o apoio de comerciantes e do gerente do banco para deixar sua barraca e até mesmo guardar algumas frutas que precisam de refrigeração. Mas não é só no comércio de rua que vive essa relação de troca.

(foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

No pouco menos de dois anos de funcionamento da Mercado do Mar na Rua 48, João Borba aprendeu muito com sua clientela. Sócio da loja de pescados, ele conta que pouco conhecia de peixes, mas anotava os pedidos e acabou mais que triplicando as espécies que são vendidas na sua loja neste tempo. 

A ideia de se lançar nesse ramo era nova para ele e seu pai (Gilberto Borba), que estudaram um pouco e conseguiram certos contatos por conta de uma relação familiar com o dono de outra loja em Piedade, o Empório do Mar.

"O Espinheiro é um local onde moram muitos idosos. Então, eles vinham e tinham dificuldade para levar os produtos. Começamos a pensar o que fazer para facilitar a vida desse pessoal e o serviço de entrega acabou sendo idealizado muito pensando neles", explica João, deixando claro que o processo é uma via de mão-dupla em que os comerciantes pensam em como atender seus clientes e quem frequenta a loja também acaba ajudando os comerciantes por darem ideias que incrementam as vendas.

(foto: Divulgação/Mercado do Mar)

A freguesia acaba conhecendo a loja e participando das promoções, conta João. Ele explica que no início da semana o movimento costumava ser mais fraco, então eles começaram a dar descontos nesses dias e já tem pessoas que vão sempre naqueles dias para aproveitar. Na segunda todos os peixes têm 10% de desconto, já na terça a promoção é de camarão. 

"O preço é beeeem melhor que nos supermercados da área e tem muito mais oferta de pescados (e camarão, vieira, mexilhão, polvo, lula). Também vendem especiarias, carnes e comidas prontas, congeladas (bobó, sururu). E tem delivery. Estou postando aqui porque venho tentando comprar (e assim incentivar) comércios menores, preços mais justos (comprando queijo coalho atualmente em um senhor que fica ali na Beira Rio, por exemplo). São maneiras também, acredito, de fazer girar o comércio de bairro, de fazer surgir mais iniciativas e de fugir desse horror que são os preços dos supermercados daqui", disse a jornalista e professora da UFPE, Fabiana Moraes, pelo Facebook.

Que iniciativas desse tipo você conhece? Compartilha com a gente! Deixe seu comentário. O PorAqui é uma plataforma colaborativa.   

Saiba como colaborar com o PorAqui


O jornal de bairro evoluiu. No PorAqui, você encontra estações de conteúdo hiperlocal e colaborativo.

Para baixar o aplicativo: Android e iOS

Sugestões e colaborações: aflitos.espinheiro@poraqui.news