Já faz décadas que os edifícios ou construções recifenses de mais de mil metros são obrigados a colocar, em lugar de destaque, uma obra de arte visível a todos – seja escultura, pintura, mural ou o que for. A aplicação da lei da década de 70, que institui a obrigação para as edificações, já faz parte da paisagem urbana das áreas residenciais do Recife.

Quem chega à cidade desavisado, contudo, costuma se surpreender com as obras. A preferência aparente pelas esculturas, algumas bastante peculiares, contrasta com as linhas retas e a altura dos prédios e muitas vezes parecem estar ali isoladas em um espaço qualquer ou escondidas atrás das grades e muros.

Num passeio pelas ruas do Espinheiro, pode-se encontrar bons exemplos desse fenômeno particular do Recife – que já inspirou outras cidades brasileiras e foi até replicado em Belo Horizonte desde os anos 90.

Escultura de mulher que ornamenta jardim na frente de edifício no Espinheiro
Foto: Colaboração/Nathalia Buonova

Aos moradores mais antigos do bairro e da cidade, porém, talvez as chamadas obras de arte já passem despercebidas, sejam apenas mais um elemento quase camuflado dos espaços privados tão imponentes da cidade.

Geralmente cercadas pelos jardins dos prédios e muitas vezes colocadas atrás das grades (por proteção?), as esculturas parecem ter se misturado à paisagem e não ter a força necessária para quebrar com a rotina das ruas do Espinheiro. Curiosamente, figuras femininas nuas, nas mais variadas poses, são as mais frequentes.

Obras de arte urbana ou apenas uma tentativa de mascarar os prejuízos de uma cidade cada vez mais verticalizada e privatizada, as esculturas dos edifícios são, sem dúvida, algo a se prestar mais atenção nas ruas do Recife.