Em meio aos espigões que marcam a paisagem do Espinheiro, a Rua Gomes Pacheco é um pequeno oásis de calmaria e resistência com suas simpáticas casas, cada vez mais raras no Recife. É no número 426 dessa rua que a jornalista Aline Feitosa resolveu plantar a semente da revolução na qual acredita.

Moradora do local há 17 anos, desde o ano passado ela vem abrindo as portas de sua casa, batizada de Pequeno Latifúndio, para amigos (e amigos dos amigos) poderem desfrutar de boa música, boa comida e boa conversa.

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A jornalista Aline Feitosa fez de sua casa um espaço de resistência (Foto: Aline Feitosa/Instagram)

O hábito de receber em casa faz parte da vida de Aline desde que ela se mudou para esse local. Jornalista e produtora na área de música há mais de 20 anos, todas as quartas-feiras, e eventualmente, nos fins de semana, ela transforma o quintal de sua casa em palco para artistas autorais.

“Trabalho com música há muito tempo e sempre fui muito festeira. Numa dessas, alguns amigos, entre eles Juliano Holanda, começaram a me instigar pra gente fazer alguma coisa aqui”, explica.

Foi um problema de coluna que a deixou de molho em casa durante um bom tempo que fez Aline colocar em prática o pedido dos amigos. “Não estava podendo sair e já não aguentava mais ficar em casa. Aí resolvi abrir pra receber aqui alguns artistas que faziam música autoral”, lembra.

O esquema lá é cedinho e dá pra levar os pequenos (Foto: Aline Feitosa/Instagram)

Nomes como Almério, Isaar, Tibério Azul, Lucas Santtana, Victor Camarote, Isadora Melo, Lucas dos Prazeres já passaram pelo Pequeno Latifúndio. As apresentações são sempre especiais, em formato de pocket-show, mais intimista.

Para Aline, em tempos de falência das macropolíticas, lugares de encontro como o Pequeno Latifúndio que portam uma potência transformadora. “A palavra que eu gosto de usar para definir esse espaço é micropolítica. As discussões macro estão muito acaloradas, polarizadas e claramente não estão funcionando. Por isso eu acho que são de pequenas reuniões que podem surgir grandes forças”, observa.

O Pequeno Latifúndio recebe no máximo 50 pessoas e o esquema é cedo e sentado. “Começa cedinho e terminamos sempre às 22h para não incomodar a vizinhança”. Não tem mesa, mas ela tem 25 cadeiras e as pessoas vão chegando e se acomodando da forma que acham mais confortável. A ideia é se sentir em casa mesmo.

Além das apresentações musicais, sempre rola uma roda de conversas e comidinhas preparadas pela própria Aline. “Cozinho para os convidados os pratos que eu e meus filhos gostamos de comer em casa”, diz.

Até por ser uma residência, o público é seleto. Normalmente quem aparece por lá são amigos que levam outros amigos, familiares dela ou dos artistas. No entanto, o Pequeno Latifúndio está aberto para todos. Ela cobra um valor simbólico (normalmente entre R$ 15 e R$ 20) para custear as despesas. “80% do que a gente arrecada vai pro artista porque minha proposta não é ganhar dinheiro”, coloca.

Pequeno Arraial

Neste mês, rola o Pequeno Arraial, sempre às quartas e sábados

Neste mês de junho, excepcionalmente o Pequeno Latifúndio estará aberto todas as quartas e sábados recebendo artistas para apresentações com uma pegada junina.

Nesta quarta (06), rola a abertura do Pequeno Arraial, que já é um evento tradicional na rua. “Nos juntamos com dois vizinhos, acendemos fogueira e fazemos a festa na rua mesmo. É massa que vários outros vizinhos participam, o pessoal dos prédios vem também”, conta.

Nas quartas, o Pequeno Latifúndio começa a receber às 17h e a entrada é R$ 20. Nos sábados, o quintal abre às 16h e o valor é R$ 15 (até às 17h) e R$ 20 (após às 17h).

?Pequeno Latifúndio
?Rua Gomes Pacheco, 426, Espinheiro
Insta: @pequenolatifundio