Tendo sido criado sob os valores do catolicismo, que pratiquei sincera e devotamente até os 21 anos, é natural que eu me oponha à pena de morte como punição legal a ser aplicada pelo Estado. Contudo, há algumas exceções nas quais a pena capital deveria ser usada sem restrições. São elas:

· Escutar música no busão, sem fone de ouvido;

· Peidar no busão, em dia de chuva, com as janelas fechadas;

· Buzinar na frente de hospital;

. Buzinar;

· Trocar de faixa sem colocar a seta;

· Acelerar quando alguém coloca a seta para trocar de faixa;

· Ligar o alerta e parar o carro no meio da rua;

· Fazer fila dupla para deixar ou buscar menino buchudo em colégio de madame;

· Estacionar o carro numa calçada;

Segunda-feira, dia internacional do lugar de falha

· Queimar parada de ônibus.

· Deixar o cocô do cachorro na calçada;

· Guardar o cocô do cachorro num saquinho e deixar o saquinho, com o cocô, na calçada;

· Falar cuspindo;

· Falar tocando;

· Falar cuspindo e tocando;

· Usar gratidão no lugar de “obrigado”;

· Ler esta coluna.

Seria, no entanto, uma morte virtual. O cidadão ou a cidadã que fossem pegos cometendo os delitos supracitados teriam todos os seus documentos cancelados (incluindo, ainda, conta no banco, número de telefone, perfil em rede social) e, assim como Sísifo, deveriam rolar a pedra da burocracia cume acima, passando por cartórios, repartições agências bancárias e afins, para, ao final do dia, ter toda essa trabalheira anulada. Infinitamente.

 

Daniel Barros é recifense, formado em Letras pela UFPE. Atualmente mora no Derby, mas é cria da CDU. Come e bebe em demasia. Já tomou muita cerveja no Mercado da Encruzilhada.  Nos intervalos, anda de ônibus. Nesta vida, veio a passeio, mas ficou preso em Abreu e Lima. É conteudista colaborador do PorAqui para desperdiçar seu tempo.

 

Os conteúdos publicados no PorAqui são de autoria de colaboradores eventuais e fixos e não refletem as ideias ou opiniões do PorAqui. Somos uma rede que visa mostrar a pluralidade de bairros, histórias e pessoas.