Por Gisele Lourenço, do Espaço Mercatto

Há muito tempo eu curto o trabalho de Rafa Mattos. A primeira vez que vi seu regadorzinho foi numa placa que sinalizava um buraco na Avenida Visconde de Suassuna. Na mesma hora me encantei. Achei tudo genial: a sinalização do buraco, o amor plantado no lugar de uma possível revolta com o descaso do poder público, a ação possível, a arte instalada no lixo da madeira que ali estava.

Quem passava não sabia se levava aquela beleza pra casa sem “des-sinalizar” o ponto. E não dava para passar no lugar sem ver. E havia tanto para ver! Não gosto de rotular arte, mas gosto da reflexão sobre ela. Pichação, Grafite, Instalação… Não preciso saber, mas gosto e me identifico muito. Obrigada!

(foto: Arquivo pessoal/Rafa Mattos)

No meio disso tudo, apareceu o PorAqui e surgiu a ideia de contar as história do bairro através das história que os clientes contam num Álbum de Figurinhas. Então… A entrevista abaixo tem três perguntas básicas. Elas norteiam (como um mapa) aonde quero chegar, mas o grande barato é meu encantamento sobre o entrevistado. É real! É verdadeiro.

A ideia é mostrar que juntos somos fortes, podemos realizar muitas coisas e que o sonho, a alegria, a generosidade constroem mais do que rancores, protestos e críticas sobre o que nos faz sentir impotentes. Não que estes não sejam importantes… Mas meu sonho é potencializar!

Vai ser lindo se, em algum momento, você passar por aqui pra que eu veja o brilho dos teus olhos na descrição do sonho! Pra eu me contagiar!

(vídeo: Guga Matos e Roberta Soares/TVJC)

Gisele Lourenço – Quem é você?

Rafa Mattos –  Meu nome é Rafa Mattos, carioca do subúrbio, 37 anos, sou desenhista desde que me dou por gente, amigo de todo mundo, designer de formação e artista plástico por paixão. Há 5 anos incompletos, sou o Jardineiro que conduz o Movimento Plante Amor Colha O Bem, que nasceu nas ruas de Recife como uma catarse, se transformando num reconhecido movimento de amor ao próximo, gentileza, solidariedade, amizade e união.

O Movimento Plante Amor Colha o Bem nasceu quando decidi, sem pensar, desenhar e escrever mensagens de amor no lixo urbano que cruzava o meu caminho. Essa transformação eu chamei de #LixoFeliz e, através dela, desenhei o primeiro “regador com coração” no dia 11 de setembro de 2012, sintetizando toda a minha intenção de reflexão.  

(foto: Divulgação/Alex Ribeiro)

Gisele – O que você anda fazendo?

Rafa Mattos – Pra minha felicidade, ando falando de amor. Sou um felizardo. Meu sonho era ser um designer (comunicador) respeitado. E, através do Plante Amor Colha O Bem, pude realizar todas as minhas vontades. Antes de ser um designer, que é a minha formação acadêmica, ou artista plástico, minha principal atuação hoje, é que sou um comunicador.

Eu utilizo a arte como interface de uma mensagem (de amor). Em resumo, o que faço é construir projetos de Humanização/Comunicação, seja numa ONG, sensibilizando e empoderando pessoas; dando consultoria de comunicação estratégica e marketing de afetividade em empresas públicas ou privadas; palestrando para centenas de pessoas sobre o poder do amor, na vida profissional ou pessoal; realizando pinturas de mega murais artísticos ou desenhando lixo que encontro pelas ruas. Foi um pouco de tudo o que fiz nessas últimas duas semanas, que venho repetindo há cerca de quatro anos.

Gisele – Qual o seu sonho para o Espinheiro?

Rafa Mattos – Eu me envolvo com o Espinheiro de pertinho há alguns anos quando assumi a Comunicação Estratégica da Refazenda, que localiza-se na Rua da Hora, 260. Loja incrível, que trabalha o comércio justo na sua essência. Tornei-me amigo da Magda Coeli e seus dois filhos, Marcos e André Queiroz.

Depois voltei ao bairro quando me juntei à Ana Borba (excelente figurinha para seu álbum) e Eric Carrazzoni, na Loja da Lixiki, que existiu por mais ou menos um ano e meio na Rua Marquês de Paraná, 129. Ainda na Marquês, tenho a minha amiga de anos, Maria Ribeiro Acessórios, no Estudio 109.

Muita gente criativa, realizando seu trabalho com amor e propósito. Ali na 48, 76, loja 2, tem a Vila Mundo/Bio Fair Trade, empresa de meu amigo Marcio Waked, de quem sou parceiro de vida e negócios, que trabalha o Comércio Justo na sua mais bela tradução: amor ao próximo.

Produtos da campanha Plante Amor Colha o Bem podem ser encontrados na Vila Mundo (foto: Divulgação/Vila Mundo) 

Quero ver, viver e sentir esse Espinheiro que já mora no meu coração, com uma cena cultural ativa, lojas conceituais, cheias de afeto, como o Lalá Café (que se mudou), sem violência, com pessoas nas ruas vivendo a tranquilidade que merecem. Quero mais arte e mais amor por essas ruas. Na verdade, o que quero mesmo é morar no Espinheiro.

Espero que juntos possamos construir essa cena cultural efervescente, fazendo do Espinheiro o bairro que ele merece ser. Pertinho de você tem muita gente fera, das quais eu já sou amigo há tempos, como a Vila Mundo, Estúdio109, Jacaré etc. Meu plano agora é te ajudar a fazer da Mercatto o point das artes. Bora?!


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