Tem gente que só pensa em canjica, pamonha e milho quando chega o período junino. Mas, para Ivanilda Pereira da Silva, essas receitas estão muito presentes na maior parte dos seus 58 anos de vida.

“Minha mãe teve 15 filhos. Quando chegamos de Surubim, ela teve essa ideia e começou a assar milho num caldeirão pequeno. Eu ajudava ela desde meus 5 anos”, conta a filha, que assumiu o ponto na esquina da Rua do Espinheiro com a Av. João de Barros com a morte da matriarca, Terezinha Maria, há 6 anos.

Dona Ivanilda vende, o ano todo, canjica, pamonha, bolo de macaxeira e milho cozido (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

Dona Ivanilda acompanhou a mudança do bairro. Conta que, quando chegou, a galeria que fica na esquina onde ela trabalha era um casarão abandonado. Mas os tempos não mudaram tanto a rotina de vida dela…

Com a ajuda do filho Paulo, ela vai duas vezes por semana comprar os produtos na Ceasa, cozinha tudo diariamente e tem tido que baixar os preços para enfrentar a concorrência. Recentemente uma pessoa começou a vender os mesmos produtos do outro lado da avenida e Dona Ivanilda se viu obrigada a baixar o preço da pamonha e da canjica, de R$ 4 (abaixo do praticado nas padarias do bairro) para R$ 2,50.

Dona Ivanilda e Paulo têm orgulho de terem sido, por diversas vezes, entrevistados para reportagens como a matéria Saga do Milho, que foi publicada pelo Jornal do Commercio (com imagens de Bernardo Soares e texto de Ciara Carvalho). Eles contam com emoção como Dona Terezinha começou tudo assando milho em um pequeno caldeirão.

Dificuldades

Mas, no fundo, admitem que a situação está bem difícil para manter uma tradição, pois a concorrência fez com que os preços baixassem a um ponto de inviabilizar o negócio da família. Além disso, se no mês de junho é grande a procura pelos produtos, nem sempre fica assim após o fim do período junino.

Família veio de Surubim e mantém durante todo o ano a tradição das comidas de milho (Foto: Eduardo Amorim/PorAqui)

Questionada pelo repórter, que adora o tradicional milho assado, ela explicou que, neste período do ano, não dá tempo de fazer e a procura pelo produto diminui.

Resta sonhar que, depois do período junino, Ivanilda volte a assar milho, produto que começou a história da sua mãe no ponto que hoje é dela, mas que também consiga uma forma de se manter com dignidade, sem precisar se sujeitar a uma concorrência tão dura para manter a tradição como ela prometeu à sua mãe: “até a morte”.