Por que a CPRH e outras entidades não divulgam os casos em que grandes infratores foram punidos? Por que não fazem propaganda de áreas recuperadas às custas de quem devastou?
As multas, o trabalho para recuperar áreas devastadas, se isso pesa sobre o culpado, a CPRH deveria ter interesse em que esses casos fossem conhecidos, para dissuadir.

Ainda que houvesse poucos exemplos, esses já serviriam para que se pensasse duas vezes antes de arrasar uma floresta. A dissuasão é uma arma eficaz. A CPRH e demais órgãos que têm como
objetivo proteger o meio ambiente deveriam ter o maior interesse em que todos soubessem que o crime ambiental não compensa.

Vamos a um exemplo: em 2 de novembro passado o PorAqui News noticiou “Denúncia aponta crime ambiental, com bloqueio de rio, em Aldeia”. No dia seguinte foi a vez de a Folha de
Pernambuco tratar do mesmo assunto. Não seria natural que a CPRH procurasse ao menos esses jornais e avisasse sobre a evolução do caso, sobre as providências tomadas? É pedir demais, ou isso é interesse da própria CPRH, para inibir casos semelhantes, para mostrar que o lucro em devastar o meio ambiente acaba em prejuízo para o transgressor?

Os perigos dos incêndios florestais em Aldeia

Além disso, qualquer um que pedisse informação sobre um caso notório, público, deveria ser recebido já com um texto explicativo. Mas não é o que ocorre; a CPRH, em vez de tratar como
colaborador quem pede uma informação dessas, trata como alguém suspeito. Obviamente não se trata de divulgar estratégias ou quebrar privacidades protegidas, mas de dizer em que estágio
determinado caso está. A população vê a devastação, sabe quem devastou, mas não sabe de qualquer consequência concreta. Isso é grave, convida ao crime.

Contudo, existe uma hipótese, em que a divulgação seria nefasta: se não houvesse caso algum a divulgar, se os grandes crimes ambientais dessem lucro ao criminoso. Deus queira que não seja essa
a situação porque, nesse caso, realmente, divulgar que o crime ambiental compensa não seria uma boa coisa…

Nosso colaborador Marcos Sampaio é engenheiro e morador de Aldeia

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