A comunidade de Aldeia se manifestou nesta quarta-feira, nas redes sociais, com muita tristeza e indignação diante do decreto da Prefeitura de Camaragibe que devolve o Parque Aldeia dos Camarás aos antigos proprietários. Único espaço público de lazer de Aldeia, o parque encontrava-se abandonado pelo poder municipal, mas ainda assim vinha sendo frequentado há anos pela comunidade. No próximo sábado, 8, haverá uma manifestação em frente ao local, no km 11, a partir das 8h.

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Veja alguns depoimentos a respeito do caso e fotos de diferentes momentos do parque:

“Do ponto de vista ambiental, toda a sociedade perde muito. O local seria
destinado a um empreendimento imobiliário e depois de muita luta da população ele foi transformado em parque público com diversos atrativos. Investimentos seriam destinados à implantação do parque. Há um mês tínhamos nos reunido com o secretário de Meio Ambiente do município e com o procurador geral pra traçar os próximos passos visando a recuperação da área impactada pela ação da prefeitura e tudo parecia resolvido, assim como a iniciativa em demarcar a área onde poderiam ocorrer as obras de implantação do parque. Sendo sincero, esperamos que o problema seja resolvido para que nem a população nem o meio ambiente percam com a não construção do empreendimento tão benéfico.”

Eduardo Elvino, presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente

Uma das ocasiões em que o parque esteve capinado
Uma das ocasiões em que o parque esteve capinado

“O local chamado de Parque Aldeia dos Camarás vinha com projetos em prol da preservação da natureza… em junho foi realizado um investimento alto com o plantio de mudas de espécies nativas com a participação da sociedade civil, órgãos públicos, jornalistas… que sonhavam com a restauração da mata ciliar do Rio das Pacas, um importante afluente do rio Beberibe. Temos agora mais uma nascente dentro de uma propriedade privada, se já não bastasse a perda do viveiro florestal que seria importante para as áreas de restauração na APA.”

Érika Takata, bióloga e aldeiense

Plantio de cerca de mil mudas em junho deste ano
Plantio de cerca de mil mudas em junho deste ano

“É o momento da gente se mobilizar. Os prefeitos sempre prometeram, mas nunca fizeram nada pelo parque. Aqui em Aldeia muitos moram em condomínios e têm seus parques privativos. Mas quem mora nas comunidades não têm um espaço para caminhar, pra andar de bicicleta, fazer várias outras atividades. Vamos lutar pelo parque, isso não pode continuar. Nós colocamos os prefeitos com os nossos votos e também podemos tirá-los. Somos uma comunidade forte!”

Eliana Linhares, pedagoga, analista ambiental e aldeiense

Cena muito frequente de lixo jogado pela população na entrada do parque
Cena muito frequente de lixo jogado pela população na entrada do parque

“Considero a medida tomada um absurdo. O prefeito, que é advogado, sabe que em primeiro lugar o poder público deve observar o benefício comunitario, coletivo. No caso, Dr. Meira observou apenas o interesse privado e individual! Espero que a administração pública e os munícipes revertam essa decisão.”

Anacleto Julião, antropólogo social e aldeiense

Em outubro tratores da Prefeitura abriram uma rua dentro da área do parque
Em outubro tratores da Prefeitura abriram uma rua dentro da área do parque

“O sonho de todos que moram aqui é um parque onde a gente possa conviver e praticar exercícios. E simplesmente a gente vê todo o esforço ir por água abaixo quando a prefeitura passa com um trator, devolve o equipamento. E onde fica a comunidade que mora em Aldeia? O que podemos fazer? Cruzar os braços e deixar tudo como está? Mais uma vez eles vão vencer?”

Rejane Liberal, bonsaísta e aldeiense

Mesmo com o mato alto e sem segurança, a população vinha utilizando o parque há anos
Mesmo com o mato alto e sem segurança, a população vinha utilizando o parque há anos

“Vejo pelo lado ambiental, que perdeu primeiro o viveiro de mudas. A gente tem urgência de uma revegetação pelo fato de Aldeia ter olhos d´água importantes para a Região Metropolitana, e com o viveiro a gente poderia ter um local mais central para as ações socioambientais. Agora esse decreto pra ceder o parque aos antigos donos. A Prefeitura não fez esforço nenhum pra garantir o patrimônio da sociedade. O parque seria muito importante para as ações culturais, educacionais, entre outras, que a gente poderia integrar ali dentro. Poderia ter uma minitrilha passando perto da nascente, hoje deteriorada, mas que poderia ser salva com o reflorestamento. Ou seja, as escolas municipais de Camaragibe também perderam um espaço importantíssimo de educação ambiental.”

Anderson Caetano, ambientalista, trilheiro e aldeiense