Nós que moramos em Aldeia sabemos, ou deveríamos saber, que esta minirregião em torno da PE-27, até a nascente do rio Beberibe, forma uma Área de Preservação Ambiental (APA). Pela designação, o meio ambiente da área tem de ser preservado evitando-se ao máximo corte de árvores, agressão a nascentes e outros danos ambientais.

No entanto, o que mais se ouve, abafando muitas vezes o canto dos pássaros e outros sons comuns a este milagroso resto da Mata Atlântica, é o som de motosserras destruindo a mata. Ibama, CPRH ou ignoram o que ocorre ou não têm meios para agir.

As florestas nossas de cada dia

Paulo Gileno Cysneiros, que participa do Conselho Gestor da APA Aldeia-Beberibe, do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Camaragibe e do Fórum Socioambiental de Aldeia, fala de coisas incríveis que por aqui acontecem impunemente, como uso de venenos agrícolas para matar a plantação de terrenos e depois fazer plantação de milho, feijão etc. por certo (errado) com emprego de fertilizantes químicos.

O império da Monsanto é imbatível e todos somos obrigados a nos curvarmos a ele consumindo seus agrotóxicos e produtos transgênicos. No capitalismo, o importante é ter lucro, mesmo que seja às custas da saúde e do bem-estar da população. A indústria farmacêutica, a alimentícia vivem disso.

Uma lei (a 13.301) autoriza a pulverização aérea de venenos nas cidades para combater o mosquito Aedes aegypti e outros. O governo ignorou a posição contrária do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde.

Especialistas garantem que os venenos agrícolas pulverizados se dispersam pelo ar que respiramos, contaminam o solo e a água e permanecem por muito tempo no meio ambiente (mas o lucro dos capitalistas está garantido).

Veneno e doenças

Pesquisadores concluíram que cada brasileiro consome, nos alimentos, em média mais de cinco litros de veneno por ano. Daí certamente vem o fato de aparecerem doenças estranhas, que tiram os efeitos dos avanços da medicina.

Cysneiros chama a atenção também para os danos às pessoas que manipulam tais produtos sem nenhum preparo. Utilizam-se ainda os recipientes vazios de veneno até para guardar água. Ele lembra que já existem consumidores em grande número que optam por consumir alimentos a que se deu o nome de agroecológicos, cultivados com adubos naturais e que têm um sabor melhor.

Feirinhas de produtos ditos orgânicos se espalham pelo país, inclusive aqui em Aldeia. Vamos aproveitar, gente. Não vamos morrer pela boca.

O colaborador Juracy Andrade é jornalista e morador de Aldeia.

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