Era uma vez um município com 150 mil habitantes onde não havia um único cinema. Ele se chamava Camaragibe e ficava a oeste do Recife. Felizmente, no início deste ano, aquele município deixou de existir. O Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro voltou a funcionar e a população de Camaragibe já pode assistir, de tempos em tempos, a um filme na telona. Segundo o presidente da Fundação de Cultura, Olímpio Costa, “falta pouco para termos um cinema com programação contínua. Esperamos que ainda em 2018 possamos dar essa boa notícia”.

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O presidente da Fundação de Cultura, Olímpio Costa

Segundo o diretor do Cine Teatro, Ângelo Fábio, o Cine Teatro estava abandonado quando a atual gestão tomou posse, no início deste ano. O prédio, um galpão de quase cem anos e mais de 100 metros quadrados, fica na Vila da Fábrica, e tem capacidade para 402 expectadores sentados. As poltronas, por sinal, são de couro, confortáveis e em excelente estado de conservação. Em compensação, no início do ano havia pneus e postes jogados no interior do teatro, o palco estava destruído por cupins e toda a fiação elétrica havia sido roubada.

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“O primeiro ato que realizamos aqui foi, simbolicamente, a posse dos membros do Conselho Municipal de Cultura. Tivemos que usar ventiladores alugados, porque não tínhamos um transformador capaz de segurar a energia do local”, explica Ângelo.

Ângelo Fábio, no interior do Cine Teatro que dirige
Ângelo Fábio, no interior do Cine Teatro que dirige

Depois disso, ao longo do ano, a Fundação de Cultura promoveu outros eventos para atrair a população e mostrar a importância do equipamento.

“Fomos procurados para realizar sessões do Festival de Cinema Francês Varilux, em junho, e o teatro lotou”, lembra Jarmeson de Lima, assessor executivo da Fundação. “A gente comprovou como a população daqui é carente de um espaço cultural como esse. Já lotamos a casa várias vezes este ano, mesmo funcionando sem ar-condicionado”.

O ar-condicionado chegou em setembro e agora é esperada uma verba de emenda parlamentar (do deputado Edilson Silva) para refazer o palco (comido pelo cupim) e parte da acústica. “Para funcionarmos a pleno vapor, precisaríamos ainda da caixa cênica, que custa cerca de 600 mil”, diz Olímpio Costa.

Corredor cultural

“Nosso foco é oferecer ao cidadão de Camaragibe e de Pernambuco uma alternativa às produções de massa, queremos formar um público crítico. O acesso à cultura é um direito de todo cidadão e por isso pretendemos construir aqui na Vila da Fábrica um corredor cultural. Além do Bianor, temos a Biblioteca Pública Penarol de Camaragibe e queremos criar uma galeria de arte no prédio onde funciona a Fundação de Cultura”, diz o presidente.

Um bom sinal para a cultura do município, segundo ele, foi a aprovação – pela Câmara de Vereadores – do projeto de lei que dá caráter jurídico aos equipamentos culturais de Camaragibe. A partir de agora, além de estarem em condições legais de participar de grandes convênios, os equipamentos ficam protegidos por lei e só poderão ser usados para os fins para os quais foram criados.

É torcer e esperar para ver!