Moradores de Aldeia foram surpreendidos na manhã desta quarta-feira (10) com uma grande confusão entre o prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira, e representantes da Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH) no Parque Aldeia dos Camarás, que fica no km 11. Atendendo a uma denúncia, fiscais da CPRH encontraram um trator da Prefeitura abrindo uma rua cruzando o parque, sem qualquer projeto ou licença ambiental.

O trator da Prefeitura de Camaragibe
O trator da Prefeitura de Camaragibe sendo parado pela polícia

A confusão começou quando o prefeito, ao tomar conhecimento da presença do órgão estadual, chegou no local e desafiou os fiscais, afirmando que a obra só seria parada mediante mandado judicial federal. Ele ordenou que o trator voltasse a funcionar e convocou a guarda municipal para garantir a continuidade da obra. O clima só se apaziguou quando o prefeito foi embora e chegaram ao local secretários municipais, o procurador geral do município e a Polícia Ambiental (Depoma).

De acordo com a gestora da APA Aldeia-Beberibe, Cínthia Lima, a obra está totalmente em desconformidade com o projeto apresentado à CPRH para o desembargo do parque. O parque, que é municipal (e é maior que o Parque da Jaqueira, com 8 hectares), passou cinco anos embargado por falta de um projeto que respeitasse as exigências de proteção ambiental. Este ano, depois de muita negociação entre prefeitura e movimentos sociais, chegou-se a um acordo e o projeto foi finalmente elaborado e aprovado pela CPRH.

A rua seria uma saída para quem vem do Vera Cruz
A rua seria uma saída para quem vem do Vera Cruz

“Estávamos com tudo pronto para a construção do primeiro viveiro de mudas do Estado de Pernambuco, fruto de um convênio da CPRH com a Cepan, e de uma sede para a 3ª Companhia da Polícia Militar, ambos na área onde a prefeitura agora resolveu abrir uma rua”, conta o presidente do Fórum Socioambiental, Herbert Tejo, também surpreendido com a notícia.

Embargo

Ainda segundo a gestora da APA, a rua estaria irregular por não ter sido licenciada e por passar numa área de cabeceira do rio das Pacas, que é um dos principais contribuintes do Rio Beberibe. Agora, com o embargo da obra, a Prefeitura terá que descompactar o solo para recuperá-lo e depois replantar o que foi derrubado. A aplicação de multas ainda será definida internamente na CPRH.

No final do trecho aplainado há um declive que teria que ser aterrado
No final do trecho aplainado há um declive que teria que ser aterrado

O procurador geral de Camaragibe, Daniel Meira, que também esteve na área, explicou que a intenção da Prefeitura era de abrir um binário para desafogar o trânsito do Vera Cruz. A avenida Vera Cruz se tornaria mão única e a saída seria pela nova via. “É uma antiga reivindicação de moradores e comerciantes da área, que são muito prejudicados com o alto fluxo de veículos numa rua tão estreita. Também há muitos acidentes, principalmente na ladeira do Rachão”.

O procurador Daniel Meira conversa com Cínthia, gestora da APA
O procurador Daniel Meira conversa com Cínthia, gestora da APA

Procurando mediar a situação, o procurador propôs uma reunião entre a Prefeitura, a CPRH e o Fórum Socioambiental, nesta quinta-feira (11) pela manhã para tentar adequar a obra às exigências legais ou buscar uma alternativa a ela. Procurados pela reportagem, os secretários municipais de Serviços Públicos, Obras e Meio Ambiente disseram desconhecer qualquer projeto referente à rua cuja obra foi embargada nesta quarta.