Eles moram na cidade, mas sempre que podem Alcmene de Andrade e Deivson Trajano correm para a casa do Condomínio Bosque Águas de Aldeia (km 16 de Aldeia), para cuidar da sementeira que têm ali. Namorados há três anos, a empreendedora e o nutricionista/professor de inglês descobriram uma paixão em comum: a Mata Atlântica. E juntos eles estudam, pesquisam, saem para catar sementes, plantam as mudas e tentam disseminar árvores nativas não só em Aldeia, mas em várias áreas do Estado.

O ipê amarelo é uma das grandes paixões do casal
O ipê amarelo é uma das grandes paixões do casal

“A Mata Atlântica é simplesmente o ecossistema mais rico em termos de biodiversidade que existe no mundo. Nela vivem mais espécies que em qualquer outro ecossistema. E só restam 7% do que já foi um dia a Mata Atlântica brasileira, que se estendia até a beira do mar”, conta Alcmene. “Eu já morei na Itália, nos Estados Unidos, conheço muitos lugares, mas nada se compara com a riqueza que vejo na Mata Atlântica”.

Assista o vídeo em que Deivson fala sobre as propriedades do ipê:

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Apaixonados por toda forma de vida – têm nove gatos e cuidam de qualquer animal silvestre que apareça machucado na vizinhança –, eles contam que a coleta de sementes e a produção de mudas tornaram-se hobbies. “Não temos interesse financeiro nenhum nisso. Só cobramos pelas mudas porque temos gastos com terra, compostos orgânicos, sacos e combustível. Fazemos isso porque nos preocupamos com a sobrevivência das espécies e queremos valorizar o que é da nossa região”, diz Deivson.

Sementes

Algumas sementes coletadas por eles durante as trilhas nas matas
Algumas sementes coletadas por eles durante as trilhas nas matas

Segundo ele, uma das distrações do casal é fazer trilhas pelas matas em busca de sementes. Quando não o fazem em Aldeia, costumam andar pelo Jardim Botânico do Recife e na região de Chã Grande, onde têm uma propriedade de mata preservada. Atualmente eles cultivam dezenas de mudas nativas mais comuns, como ipê, munguba, imbiriba, oiti-coró, murici, paineira, pau-brasil, pau-ferro, acácia gigante, sucupira e visgueiro; e mais raras, como jequitibá e mama-cadela vermelha; além de fruteiras como pitangueira, cajueiro e cacauzeiro.

“Aqui as pessoas têm a cultura de valorizar o que é de fora. Vemos muitos arquitetos que escolhem palmeiras importadas para seus projetos, quando temos aqui espécies belíssimas, mais adaptadas e que têm seu papel no ecossistema”, lembra Alcmene, lamentando que tem percebido um grande retrocesso no comportamento das pessoas em Aldeia nos últimos anos.

“Em vez de ver as pessoas mais preocupadas com a preservação da natureza, o que vemos é mais e mais destruição. Pessoas que vêm morar em Aldeia dizendo que amam o verde, mas que são os primeiros a invadir a mata e destruir tudo para construir casas enormes e sem áreas verdes”, ressalta.

Felicidade

A produção de Alcmene e Deivson não é muito grande pela falta de espaço físico no jardim, mas eles guardam sementes e aceitam encomendas. As mudas variam de R$ 20 a R$ 100, dependendo da idade. Como não têm loja, eles divulgam o trabalho nas redes sociais e no boca a boca. Pretendem continuar semeando e difundindo os conhecimentos que adquirem em grupos de discussão, livros e documentários. E também curtindo seu próprio pomar. “Não há felicidade maior do que ver, por exemplo, um pé de graviola que plantei há 7 anos, chegar a 15 metros de altura e dar frutos pela primeira vez”, diz Alcmene.

Quem quiser conhecer o trabalho ou encomendar mudas pode entrar em contato pelos telefones: (081) 99921-8930 e (081) 99559-8217.