A floresta era na PE-27, Estrada de Aldeia. Podemos dizer floresta porque, embora só existissem jaqueiras, as copas se tocavam, projetando sombra em toda a área que elas ocupavam.

Num dia quente tive a curiosidade de andar sob a sombra daquelas jaqueiras, e senti a grande diferença da temperatura na área sombreada para a temperatura na estrada.

Mas tive a ideia de entrar, porque certa vez, fui à Av. Paulista munido de um termômetro para avaliar a temperatura no meio da avenida, e a temperatura dentro do sombreado Parque Trianon que fica naquela avenida. A diferença foi de 2º C a menos no parque. Pena que eu não dispunha de um termômetro à sombra das jaqueiras.

Derrubada das jaqueiras no km 11
Derrubada das jaqueiras no km 11

Mas um dia aquelas jaqueiras foram cortadas, e não ficou esclarecido o motivo. De acordo com a Lei 9.605, cometeu-se ali um crime ambiental dos mais violentos. Não sabemos se alguém foi responsabilizado e muito menos se sofreu a penalidade adequada.

O bravo Fórum de Aldeia protestou, mobilizou a comunidade e apelou às autoridades consideradas competentes. Mas o dano já estava feito. Disseram que o abate foi permitido, pois jaqueira, Artocarpus heterophyllus, é originária da Índia e que não sendo nativa, a legislação permite o abate.

Mas nós temos também a Mangífera índica, a mangueira, o Cocos nucífera, coqueiro, que vieram da Índia, da Ásia, que como as jaqueiras, estão aqui há mais de 400 anos. A competição que elas fizeram com as plantas nativas já foi neutralizada, e estão perfeitamente adaptadas à nossa flora.

Hipocrisia

Essa legislação é hipócrita, ignorante, acomodada, e cúmplice dos malfeitores, geralmente pessoas poderosas que, na ganância por mais dinheiro, abatem nativas e exóticas. É como se as folhas dessas plantas não realizassem magnificamente a fotossíntese, liberando oxigênio para a vida, e água pela evapotranspiração.

As raízes não facilitassem a infiltração da água para abastecer os aquíferos, a sombra não protegesse o solo da inclemência do Sol que o resseca e endurece. Nenhuma árvore pode ser abatida sem um justo motivo.

Aldeia é foco de grande especulação imobiliária. E os motivos são o clima ameno, a água boa, o verde e o ambiente preservado. Várias empresas exploram extração de água mineral em Aldeia. Mas essas fontes só existirão enquanto existir mata. Sem a mata, as fontes secarão.

Parque ecológico

Uma ideia muito boa foi a criação de um parque para compensar o prejuízo ambiental com o abate das jaqueiras, que afetou todos os seres vivos de Aldeia, os humanos, a fauna, a flora, ou seja, da biodiversidade. A ideia está consolidada na mente dos cidadãos, dos homens comprometidos com a sustentabilidade ambiental, com qualidade de vida para a comunidade.

Todos devemos nos empenhar nesse sentido, mesmo aqueles que não moram em Aldeia, mas todos os pernambucanos, todos os brasileiros, pois saberão que Aldeia existe, não é uma utopia, mas um lugar real onde poderão desfrutar horas ou dias de repouso, de lazer e de paz.

Turismo mundial

Portanto, se os investidores pensam em ganhar dinheiro com Aldeia, devem empenhar-se para preservar as condições ambientais que tornam Aldeia atrativa, e não a degradar. Duas grandes entidades devem unir-se, liderar e concretizar este sonho: o Fórum Socioambiental de Aldeia e a Prefeitura de Camaragibe.

Quando a Prefeitura de Camaragibe divulgar o projeto de um Parque Ecológico naquele local, haverá repercussão mundial e com certeza países e organizações estrangeiras se colocarão à disposição, prestarão toda assessoria, inclusive financeira, para ajudar a concretização da ideia. E o município de Camaragibe será incluído no roteiro turístico mundial.

O prefeito que realizar este parque terá o seu nome gravado a ouro no Panteão Mundial da Glória onde só cabem os nomes dos benfeitores planetários, os benfeitores da humanidade.

Bartolomeu Leal de Sá é morador de Aldeia.

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