Preocupada com a situação do trecho da ladeira de Aldeia que tem sinais de afundamento, na altura do km 2, a moradora do bairro e economista Sônia Medeiros fotografou o local sob vários ângulos. A economista – que trabalhou por mais de dez anos apoiando equipes municipais de Defesa Civil em gestão de risco na Região Metropolitana, assessorada por professores e pesquisadores do Departamento de Engenharia da UFPE – enviou as imagens para a  especialista em solos da Universidade Federal do Cariri, Ana Patrícia Nunes Batista.

O parecer técnico da especialista demonstra que, diferentemente do que disse o Departamento de Estradas de Rodagem em matéria do PorAqui, há, sim, perigo de desmoronamento. O risco, segundo ela, é alto. Veja as fotos:

O solo está se desagregando
O solo está se desagregando bem na altura da barreira
Erosão sob a pista
As imagens mostram bem a erosão que está se formando sob o asfalto, tirando a sustentação da via
O trecho da estrada
O trecho da estrada, no km 2, onde apareceu uma fissura que o DER cobriu com asfalto
Estrada
Proteção do lado interno da via que dá acesso a duas escadarias tem sinal que indica infiltração de água na barreira propensa a instabilidade.

Confira na íntegra o parecer dado pela engenheira Ana Patrícia Nunes Bandeira:

“As imagens do trecho da pista na PE-27 indicam sinais de movimentação do subsolo.

O revestimento asfáltico, que embora seja flexível (suportando deformações), já apresenta indícios de movimentações além da admissível.

A calçada de concreto, na lateral da pista, se encontra com diversas rachaduras, o que favorece as infiltrações das águas de chuvas para a camada do subsolo, contribuindo com a remoção da camada de apoio do pavimento, devido processos erosivos.

Quando uma pista perde sua camada de apoio (base e sub-base), a mesma poderá sofrer deformações excessivas e até romper por não suportar as cargas advindas da superfície.

O trecho que apresenta uma tubulação exposta indica que a mesma já não tem a camada de apoio, devido ao processo de erosão avançada.

A tubulação está suspensa, com risco de romper a qualquer momento. Caso isso venha ocorrer, a pressão e a vazão da água poderão contribuir com deslizamentos de grande magnitude no local.

A situação atual dos fatores envolvidos (erosões na camada de apoio, infiltrações de água, ação de sobrecargas), juntamente com as ocorrências de chuvas intensas e prolongadas na RM-Recife, contribuem com a possibilidade de ocorrer deslizamento na área, que se apresenta situação de risco alto.

Ana Patrícia Nunes Bandeira
Dra. Engenheira com especialização em solo, colapsível e expansivo.
Formada na UFPE e hoje professora na UFCE”