Depois de viajar o mundo quase todo e de morar em países diversos como Arábia Saudita e México, o técnico em telecomunicações holandês Franciscus van Onzen conheceu e se apaixonou pelo Brasil. Mais precisamente pelo Nordeste, Pernambuco, Camaragibe, Aldeia. É num condomínio do km 12,5 que ele e a esposa, Annie, ambos com 69 anos, moram e aproveitam a aposentadoria para fazer arte. Ela menos, por conta de problemas de saúde; ele, o dia inteiro.

Francis, como é mais conhecido, aprendeu com Annie a arte dos vitrais, e depois que ela não aguentou mais – precisou parar depois que teve problemas na coluna; o trabalho exige que o artesão fique de pé por muitas horas –, ele abraçou o ofício. Hoje, sua vida é projetar objetos, cortar pedaços de vidros, soldar fitas de cobre e produzir peças coloridas que enchem os olhos de qualquer pessoa.

Arquiteto inaugura estúdio de marcenaria digital em Aldeia

“O que me faz gostar daqui?”, pergunta ele, “principalmente o clima, a abertura das pessoas e o carinho com que todos se tratam, diferente do meu país, onde tudo é frio. Isso prendeu meu coração”, declara.

Ele conta que em Haia, onde nasceu, assim como em toda a Holanda, as pessoas aprendem serviços manuais desde cedo, já que lá é muito caro contratar pedreiro, eletricista e outro tipo de operário desse tipo. Por isso ele aprendeu marcenaria e fez grande parte dos móveis de sua casa. Daí para a arte com vitrais foi um pulo. Entre outros objetos, ele faz luminárias, móbiles, espelhos, quadros, janelas, portas e o que mais a imaginação permitir.

“Gosto muito de trabalhar com isso. A única dificuldade que tenho é de encontrar material. Tudo que uso é importado, principalmente dos Estados Unidos”, diz Francis, para quem o vidro, a solda e o cobre nacionais não são de boa qualidade.

Algumas peças mais complexas, como um quadro de um dragão com cerca de 70 cm de largura (foto), ele chega a levar duas semanas para fazer. Os preços das obras variam de R$ 35 a R$ 800, dependendo do tempo que leva para ser feita. Já houve um trabalho, feito por encomenda, que saiu por R$ 2 mil. Além de vender pela internet, o artesão participa das principais feiras de artesanato locais, como a Fenearte e a Fecriart.

Para conhecer o trabalho de Franciscus, basta agendar uma visita a seu ateliê pelo telefone (081) 99690-4695 ou ver algumas peças em sua página no facebook.