Representantes da sociedade civil reuniram-se nesta terça (4) com membros das prefeituras do Recife e Camaragibe, Governo do Estado e Transpetro para buscar uma solução para coibir os lixões clandestinos que vêm se expandindo em diversas ruas de Aldeia.

Um projeto piloto será executado na “Estrada do Orfanato”, um ramal da Estrada do Oitenta (km 6), onde uma montanha de lixo se acumula há anos com dois agravantes: o terreno onde o lixo é jogado pertence à Área de Preservação do Parque Estadual de Dois Irmãos e é faixa de servidão da Transpetro, ou seja, dutos de gás natural estão enterrados ali e qualquer manejo incorreto pode causar uma grande tragédia.

A população joga todo tipo de lixo na área que pertence ao Governo do Estado
A população joga todo tipo de lixo na área que é de preservação ambiental

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Anderson convidou os órgãos para definir competências
Anderson convidou os órgãos para definir competências. Foto: Ytainara Marques/UM Hospitalar

Segundo Anderson Caetano, do Projeto Trilhas Eco Verdejante – que encabeça o movimento juntamente com o Projeto Semear e a Ultra Mega Hospitalar –, por falta de coleta regular, a população joga de tudo na área, que não é cercada. “Há muito entulho, restos de podas, plástico, papel, móveis, geladeiras e sofás. Chamamos as prefeituras de Recife e de Camaragibe porque uma sempre diz que a responsabilidade é da outra e nunca chegamos a uma solução”, diz Anderson.

Camaragibe

Por parte da Prefeitura de Camaragibe, o assessor da Secretaria de Serviços Públicos Cleiton Nunes garantiu que apenas 150 metros da Estrada do Orfanato pertencem ao município e que até ali a coleta é feita regularmente nas terças, quintas e sábados. Segundo ele, uma ampla campanha de conscientização da população terá que ser feita para que os moradores passem a descartar o lixo somente nos dias da coleta. “As pessoas não respeitam, jogam o lixo qualquer dia”.

Avelino Pontes, da Emlurb, prometeu elaborar plano de coleta para a área.
Avelino Pontes, da Emlurb, prometeu elaborar plano de coleta para a área. Foto: Ytainara Marques/UM Hospitalar

Recife

Já do lado do Recife, o gerente geral da Fiscalização e Limpeza Urbana da Emlurb Avelino Pontes revelou que desconhecia que a área pertencesse ao seu município e admitiu que, por falta de conhecimento, a Prefeitura do Recife não realiza a coleta regular na área. Mas a partir de agora, ele afirmou, vai a campo conhecer a situação e planejar uma estratégia que atenda à área.

Governo do Estado

Representando o Parque Dois Irmãos, a engenheira Florestal Nara Lúcia da Silva informou que a área faz parte da Zona de Amortecimento de Impactos, que fica no limite da Unidade de Conservação e tem que ser protegida sob as mesmas regras do Parque. Por isso, no projeto de reflorestamento proposto durante a reunião, deverão ser selecionadas exclusivamente mudas de plantas nativas do bioma Mata Atlântica, não sendo permitida a colocação de pneus ou outros enfeites. Ela se comprometeu a ajudar na seleção das espécies, inclusive com uma visita do grupo à sementeira do Parque, e a contribuir com placas indicando que o descarte de lixo na mata é crime ambiental.

Transpetro

O alerta da Transpetro, que trabalha informando a população sobre os cuidados que deve ter nas áreas por onde passam seus dutos de gás natural, é de que naquela área os dutos já estão a uma profundidade de apenas 1,30 metro, sendo que foram construídos a 1,80 metro. Isso porque há todo um manejo da terra cada vez que o lixo é jogado, revirado e retirado. “Se nada for feito agora e se um dia um desses dutos for tocado, pode haver uma explosão muito forte e, quem sabe, um acidente de grandes proporções”, diz Fernando Teixeira, técnico da Transpetro. Além da remoção da terra, o risco aumenta porque muitas vezes o lixo é queimado pela população.

Durante a reunião ficaram estabelecidos os papéis de cada agente. Foto: UltraMega Hopitalar
Durante a reunião ficaram estabelecidos os papéis de cada agente. Foto: Ytainara Marques/UM Hospitalar

Ação conjunta

A professora Isabel Esteves, responsável pelo Projeto Semear, de Educação Ambiental, propôs que, paralelamente às providências que cada parte se propôs a tomar na resolução do problema, um grande ato seja realizado no dia 6 de outubro com a participação da comunidade limpando o lixão da Estrada do Orfanato. “Temos que envolver os moradores nesse processo, para que cada um adquira consciência e faça a sua parte daqui para a frente. Quem sabe poderemos um dia estender essa ideia para Aldeia inteira?”, sonha ela.