Na Estrada do Oitenta, no km 6 da Estrada de Aldeia, existe uma família de agricultores que, depois de passar muitas necessidades financeiras, vive hoje do cultivo de hortaliças orgânicas em sistema de coprodução com outros moradores aqui da região.

Setsuo Takata, japonês que vive há quase 60 anos no Brasil, conheceu a proposta de Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) – já desenvolvido em outras partes do país e também no Recife e em Chã Grande –, e imediatamente abraçou a ideia.

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“Começamos a trabalhar em coprodução em julho do ano passado”, conta o filho de Setsuo, Roberto Takata, 34 anos, que trabalha com o pai na Granja Sahi, de um hectare, que fica a 4,5 quilômetros da estrada.

“É bom pra todo mundo, pois nós temos um sustento garantido e os parceiros têm uma garantia de qualidade nos produtos que consomem”, resume.

Takata
Takata: “É bom para nós e bom para eles”. Foto: Tatiana Portela

O CSA se define como um modelo de trabalho em que um grupo fixo de consumidores se compromete a cobrir o orçamento da produção agrícola e em contrapartida recebe os alimentos produzidos pelo sítio ou fazenda sem outros custos adicionais.

“Desta forma o produtor, sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de forma livre à sua produção. E os consumidores recebem produtos de qualidade, sabendo quem os produz e onde são produzidos”.

As 28 famílias que sustentam a produção dos Takata são, em sua maioria, pais de alunos da escola Waldorf Jardim Satori, também no Oitenta. Eles pagam mensalmente um valor que vai de R$ 107 (para receber sete itens), a R$ 136 (10 itens) ou a R$ 202 (14 itens). Toda segunda-feira, das 7h30 às 8h30, recebem seus produtos na porta da escola.

Alface, rúcula, cebolinha

A produção dos Takata – que hoje sustenta as famílias de pai e filho – inclui três tipos de alface, além de rúcula, coentro, cebolinha, cenoura, pepino japonês, beterraba, tomate-cajá, rabanete e repolho. Às vezes falta algum produto, às vezes aparece uma hortaliça nova, tudo de acordo com a época do ano.

Roberto adianta que também já plantou batata-doce, inhame e macaxeira e em breve estará colhendo para diversificar ainda mais a cesta dos parceiros.

“Todo domingo a gente recebe um zap deles avisando o que teremos na segunda-feira. Eles colhem perto da hora de entregar e a gente recebe tudo fresquinho”, elogia Isabela Linhares, 47, artesã e coprodutora do CSA Aldeia.

“O mais interessante é termos garantida a qualidade do que consumimos”, completa Carlos Hermano, 46, servidor público e morador de Aldeia há 11 anos.

Eles contam que os coprodutores conhecem de perto a produção e que de tempos em tempos se encontram na Granja Sahi para trocar ideias sobre agricultura sustentável.

Carlos e Isabela
Carlos e Isabela são coprodutores. Foto: Tatiana Portela

Ainda segundo Roberto Takata, antes de aderir à CSA a família já fornecia hortaliças aos supermercados da região e ainda hoje fornecem o excedente da produção.

O produto deles, por ser de boa qualidade, caiu no gosto dos fregueses há muito tempo. “Era comum ver as pessoas chegarem ao supermercado perguntando ‘pela verdura do japonês’”.

Os Takata pretendem se estruturar para aumentar a plantação e expandir o fornecimento para outras pessoas, já que a procura aumenta a cada dia.

“Por não utilizarmos nenhum tipo de defensivo agrícola, há sempre o risco de pragas e de prejuízos e por isso precisamos planejar antes de crescer”, explica Roberto.

Para outras informações:
(81)99400-7092 (Roberto Takata) e (81)98994-8400 (Granja Sahi)
csa.aldeia@gmail.com