Todos os dias um grande número de pessoas circula por Aldeia nos ônibus e micro-ônibus que atendem à região. Mas o que só quem depende deste tipo de transporte sabe é como é difícil se locomover por aqui. E, mais difícil ainda, sair daqui.

Não existe uma linha de ônibus, por exemplo, que vá diretamente de Chã de Cruz (km 20) até o centro do Recife. Para chegar ao centro da capital o morador de Aldeia precisa ir até Camaragibe (Terminal Integrado de Passageiros) para trocar de ônibus, ou pegar o metrô.

Tainá pega cinco conduções por dia para ir à faculdade
Tainá pega cinco conduções por dia para ir à faculdade

De acordo com a estudante de Jornalismo Tainá Alves, de 22 anos, o primeiro ônibus que ela pega para ir à Universidade Católica de Pernambuco, diariamente, o Chã de Cruz/TI Camaragibe, circula com uma distância irregular de um carro para outro. “Tanto faz demorar cinco minutos como meia hora e até duas horas”, conta ela. Tainá fica monitorando o horário pelo aplicativo do celular e em geral vai para a parada com antecedência para não correr o risco de perder o ônibus.

Depois de uma viagem que varia de 40 minutos a 1 hora, dependendo do dia, ela chega ao Terminal Integrado de Camaragibe, onde toma o BRT até a Boa Vista e de lá vai caminhando para a faculdade. Para voltar, a saga é ainda maior. Primeiro pega o Circular Príncipe, na frente da Católica, e leva de 5 a 7 minutos para chegar à estação de metrô. De lá vai até a integração de Camaragibe e pega o terceiro transporte, até Chã de Cruz.

Além da pouca quantidade de ônibus, que faz com que haja grande demora entre uma viagem e outra e os carros estejam quase sempre lotados, a estudante reclama que os ônibus são velhos e não oferecem segurança.

O estudante de Letras reclama que não haja uma linha direta para a UFPE
O estudante de Letras reclama que não haja uma linha direta para a UFPE

Trajetos-chave

Já Eduardo Gomes Gonzaga, 18 anos, estuda Letras na UFPE e diz que o que mais o incomoda é a falta é de ônibus que saiam de Aldeia para lugares-chave como a Cidade Universitária ou a Caxangá. Mesmo tendo que fazer um trajeto mais curto – mora no km 12 –, ele sente a mesma dificuldade que Tainá.

“Se eu quiser pegar o ônibus na porta de casa, minha única opção é o Chã de Cruz, que só passa de 1 em 1 hora. Não confio no aplicativo porque ele nunca está atualizado”, reclama. “A alternativa é andar até o Vera Cruz e pegar a linha que passa por lá, só que ambos vão até o Terminal de Camaragibe, o que faz a gente perder tempo em vão”.

Por todos esses transtornos, a mãe de Eduardo, Elenice, o leva para a aula, mas na volta o estudante tem que pegar também três conduções para chegar em casa. “Da UFPE pego o Dois Irmãos Rui Barbosa, desço na UPA, ando um pouco, pego o BRT até a Praça de Camaragibe e de lá pegar o Chã ou Vera Cruz”, afirma.

Transporte complementar

Josefa mora e trabalha em Aldeia. mas está insatisfeita com o serviço de ônibus
Josefa mora e trabalha em Aldeia. mas está insatisfeita com o serviço de ônibus

Mesmo quem mora em Aldeia e trabalha por aqui enfrenta dificuldades. A doméstica Josefa Ferreira, por exemplo, mora no km 5 e trabalha no km 12. Segundo ela, que utiliza o micro-ônibus do transporte complementar (cuja tarifa é mais barata), o que atrapalha é que são poucos ônibus e não há horários certos. “Tem dias que passa rápido, tem dias que demora muito. Tem vezes que vem vazio, tem outras que vem super lotado”, reclama.

Linhas e tarifas

De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transportes, as linhas que atendem a região de Aldeia, todas da empresa Mobibrasil, são: Jd. Primavera (Vale das Pedreiras)/TICaxangá – 6 ônibus /87 viagens/1.996 passageiros por dia – Tarifa A (R$ 3,20); Tabatinga/TI Caxangá – 7 ônibus/ 96 viagens/2.737 Passageiros por dia – Tarifa A (R$ 3,20); Araçoiaba/TI Camaragibe – 2 ônibus/11 viagens/735 passageiros por dia – Tarifa B (R$ 4,40); Vera Cruz/TI Camaragibe – 3 ônibus/34 viagens/2.146 passageiros por dia – Tarifa A (R$ 3,20); Chã de Cruz/TI Camaragibe – 3 ônibus/30 viagens/1.988 passageiros por dia – Tarifa D (R$ 3,45).

Para calcular o número de linhas que determinada região necessita, a empresa explica que “são estudados vários aspectos, principalmente demandados pelos passageiros, tais como: horários em que os passageiros se transportam, o tamanho do ônibus para suprir a demanda, capacidade dos veículos, entre outros. Com esses dados coletados, é definido o intervalo entre cada viagem e também a quantidade de ônibus que essas linhas possuem”.

O Grande Recife, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que possui uma Gerência de Relacionamento na qual há uma Divisão de Comunidades que recebe as lideranças e ouve as demandas, além de um canal de comunicação via twitter e facebook para acolher as manifestações dos usuários.

Uma outra forma de reivindicar melhorias no serviço é enviando um ofício (pode ser pessoa física ou associação comunitária) endereçado à presidência da empresa na pessoa do atual gestor, Ruy do Rêgo Barros Rocha, e entregue na recepção, no endereço Cais de Santa Rita, 600 (antiga rodoviária). O pleito será protocolado e o solicitante poderá acompanhar mais de perto seu encaminhamento.

Esta reportagem foi sugerida por nossa leitora Ana Luíza de Souza Leão Rêgo. Se você tem alguma sugestão de matéria, poste nos comentários!