A empolgação é tão grande que quase não se entende o que dizem as meninas de 11 e 12 anos do 7º ano do ensino fundamental da Escola Internacional de Aldeia. O dia é de aula na Sala Maker, uma espécie de laboratório de robótica e jogos de raciocínio, onde conhecimento se mistura com brincadeira e tecnologia com meio ambiente. Lara Stefany e Marília Ester disputam entre si a chance de apresentar a minimáquina do tempo que estão ajudando a fabricar.

Marília e Lara, orgulhosas, explicam a história que ajudaram a construir para o gibi
Marília e Lara, orgulhosas, explicam a história que ajudaram a construir para o gibi

“Tudo começou com a máquina do tempo construída pelos alunos do 9º ano simulando um futuro sombrio caso os seres humanos não cuidem bem da natureza agora. Esse foi o tema do gibi que a gente produziu, chamado “De volta a Aldeia”, em que tentamos chamar a atenção das pessoas para os problemas ambientais e suas consequências”, explica Lara. “E agora estamos reproduzindo a máquina em formato pequeno para podermos levá-la para vários lugares”, completa Marília.

Na Sala Maker, a professora Clara Phillips é a responsável por incentivar os alunos a soltarem a imaginação para “construir objetos e conhecimento”. Por meio de um kit robótico chamado Hummingbird, os alunos aprendem a utilizar motores, sensores, baterias, lâmpadas led e um pouco de eletrônica. Com isso, dão vida a objetos que fabricam com material reutilizado, como caixas de papelão, garrafas pet e tampinhas.

Tecnologia e meio ambiente

“A gente adora, queria que tivesse aula aqui todos os dias”, elogia Marília, acrescentando que as aulas aliam à robótica os aprendizados que têm de outras disciplinas, como biologia, matemática e língua portuguesa. “Este ano, por exemplo, construímos uma série de animais que já foram extintos, como uma coruja caburé de Pernambuco, com movimento, som e luzes. Para isso tivemos que pesquisar bastante e depois usamos os animais para conscientizar as pessoas de que cada animal tem sua função na natureza, por isso não podemos deixar eles se extinguirem”, diz Lara. “Mudar o futuro ninguém pode, mas podemos fazer algumas coisas no presente para esse futuro ser melhor pra todo mundo”, completa.

As meninas exibem a coruja que já está extinta, e que elas reproduziram com som e movimento
As meninas exibem a coruja que já está extinta, e que elas reproduziram com som e movimento

Na sala-laboratório os alunos aprendem se divertindo. Há ali uma impressora 3D que é o xodó da maioria deles, ávidos por ver rolos de material plástico se transformarem em bonequinhos, engrenagens e outras peças para montar os robôs. Também está equipada com computador e mesa digitalizadora, onde os alunos desenharam o gibi que deu origem a todo o projeto da máquina do tempo. E se não estão programando, os alunos têm à disposição caixas e mais caixas de jogos que estimulam o raciocínio lógico, parte do programa Mind Lab.

Com a mesa digitalizadora os alunos criam os personagens das histórias em quadrinhos
Com a mesa digitalizadora os alunos criam os personagens das histórias em quadrinhos

Movimento Maker

Botar a mão na massa. Essa é a filosofia do movimento maker, uma nova forma de produzir conhecimento, que estimula o aluno a desenvolver o pensamento lógico para lidar com problemas por meio da criatividade. O “faça você mesmo” é o lema do movimento, e as crianças adoram.

Os jogos fazem parte das aulas na Sala Maker. Fazem pensar!
Os jogos fazem parte das aulas na Sala Maker. Fazem pensar!

Na EIA, o estímulo à inovação sempre foi uma marca. Uma das primeiras escolas a adotar computadores no Estado, nos anos 1990, chegou a ser questionada quando incluiu jogos na grade curricular. “Chegamos a perder alunos porque os pais não entendiam que os jogos, do ponto de vista da escola moderna, é importante para desenvolver o raciocínio e formas diferentes de pensar o mundo. Isso é fundamental quando se sabe que novos campos profissionais estão se abrindo e que 60% dos jovens que estão sendo formados hoje vão trabalhar em funções que ainda não existem”, resume Mike Fryer, diretor da EIA.

O conceito da experimentação em sala de aula, já muito difundido nos EUA, vem crescendo no Brasil e a EIA vem acompanhando a evolução da educação nos novos tempos incorporando metodologias que alteram, inclusive, a forma como os alunos se relacionam com os objetos e processos. Essas novas formas de produção, novos ambientes de trabalho e novas formas de se trabalhar também incorporam a colaboração e o compartilhamento de informações ao dia a dia dos alunos.