A arte de contar histórias através dos desenhos. Basta um mergulho em uma dessas histórias para o leitor não largar essa mania de consumir o desenrolar dos desenhos. E aqui em Pernambuco não faltam profissionais que proporcionam essas viagens em diversos estilos e, em alguns casos, com histórias autorais. Nesta lista de quadrinistas que você precisa conhecer, temos tanto cartunistas quanto roteiristas.

Alguns deles vão estar na Bienal Geek de Pernambuco. Dá uma conferida:

Lailson de Holanda

O internacional Lailson trabalha com desenho desde os 16 anos, mas suas primeiras publicações ocorreram quando ele estudava nos Estados Unidos. E de cara ganhou um prêmio por lá com melhor desenho original. No Recife, estreou no semanal Jornal da Cidade em 1975 com uma reportagem em quadrinhos sobre a cheia daquele ano. Esta é apontada como a primeira reportagem em quadrinhos de Pernambuco.

Em 1977, entrou para o Diario de Pernambuco, onde trabalhou até 2005. Lailson coleciona prêmios no Brasil e no exterior e participação em salões do mundo inteiro. Em 1999, criou o Festival Internacional de Humor em Quadrinhos de Pernambuco, quando passou a trazer grandes nomes internacionais.

Ele ainda editou dois livros teóricos: Humor Diario, sobre a ilustração humorística no Diario de Pernambuco entre 1914 e 1995; e Historia del Humor Gráfico en Brasil, pela Universidad de Alcalá de Henares, na Espanha.

Thony Silas

Thony empresta seus traços para quadrinhos das gigantes Marvel e da DC Comics, desenhando Homem-Aranha, Demolidor, Batman, entre outros. Já publicou em revistas, como Amazing Spider-Man: Ends of the Earth, Venom, Daredevils: Dark Nights e Batman Beyond 2.

Atualmente, se divide em três: além de atender demandas da DC, é o responsável pela nova temporada do X-Men, pela Marvel, e dá seguimento à série de quadrinhos A Noiva, baseada no romance A Noiva da Revolução, do historiador Paulo Santos de Oliveira, sobre uma história de amor proibido ocorrida entre uma brasileira e um português durante a Revolução Pernambucana de 1817. A série iniciada em 2017 já tem quatro dos oito volumes publicados.

André Balaio

Balaio é escritor, roteirista de quadrinhos e editor do site O Recife Assombrado, que, desde 2000, resgata o imaginário de lendas e assombrações de Pernambuco e publica narrativas ficcionais inspiradas neste universo.

É autor de roteiros de quadrinhos, como A Rasteira da Perna Cabeluda (Edições Bagaço, 2015), Malassombro (Edições do Autor, 2016) e A Maldição Circular (Edições do Autor, 2017), além de Algumas Assombrações do Recife Velho, adaptação do livro Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre, para quadrinhos (Global Editora, 2017).

No último mês de março, publicou o livro de contos Quebranto pela editora Patuá, que contém 13 contos de literatura fantástica, entre eles O lado de lá, vencedor do prêmio literário internacional Off Flip 2016. Colaborou ainda no roteiro do longa-metragem “Recife Assombrado”, em fase de produção e com previsão de lançamento em 2019.

Luciano Felix

Luciano considera que tem um estilo clássico, mas aponta o humor como sua principal linha de trabalho. “Sempre gostei de filmes de comédias, principalmente os nonsense, tipo Monty Pyton e besteiróis como Corra que a Polícia Vem aí e ToP Secret. Por isso, quando um amigo me emprestou a revista Mad em 1993, mudei meu rumo”, afirma antes de dizer que tinha o sonho de desenhar para Marvel ou DC antes de focar no humor.

Trabalha profissionalmente desde 2002, apesar de que já ganhava uns trocados a partir de 1995, fazendo charges para o jornal do Sindicado dos Professores de Jaboatão (Sinproja). Entre as publicações que já colaborou, estão as revistas Mad, Pindorama, Histórias d’O Recife Assombrado, MSP50 (em comemoração aos 50 anos de Mauricio de Sousa) e a Turma do Fom-fom. Sem contar as publicações próprias: Wander e Mistiras.

Teo Pinheiro

Teo trabalha com ilustrações desde 2005, quando atuou em uma produtora de desenhos animados, Mídia 07. No começo, focava mais na área de arte-finalista e colorista, colaborando como arte-finalista e colorista para alguns artistas nacionais. Se achava lento para desenhar histórias em quadrinhos, e aí faltava a confiança de encarar. Trabalhando junto com André Balaio em O Recife Assombrado, veio o primeiro desafio para desenhar.

“Para minha surpresa, me saí bem com a minha primeira história. Foram participações de vários artistas nessa primeira edição que depois foi lançada impressa a primeira HQ de O Recife Assombrado em forma de álbum, e fui”, conta.

Leo Santana

Leonardo começou produzindo roteiros curtos em zines como o Heróis Brazucas. Trabalhou ainda na revista Brado Retumbante como roteirista da personagem Cabala. Foi com ela que conquistou o 3º Prêmio DB Artes Independentes de Melhor Roteirista.

Foi agraciado também com o prêmio de melhor roteirista nos anos de 2006, 2007 e 2008 e de melhor HQ de 2007. Nesse mesmo ano, recebeu o troféu de Melhor Roteirista no 1º Troféu Alfaitaria de Fanzines. Em 2012, ganhou o prêmio de Melhor Roteirista e de Melhor HQ com a Abraços por R$ 0,50, na 12ª Feira de HQ.

Atualmente trabalha de forma independente e está produzindo os projetos Pernambuco Holandês, mostrando a invasão holandesa a Pernambuco em 1630, e Diários Italianos, o Brasil na Segunda Guerra Mundial.

Felipe Soares

 

Felipe é outro que surgiu da animação, onde costuma fazer, entre outras coisas, storyboards. Mas, antes disso, já devorava livros de Will Eisner, sobre arte sequencial (quadrinhos). Lançou seus dois primeiros quadrinhos em 2017. Eles têm a temática de terror, influenciados pelo canal Segredos Malditos, que mantém no YouTube, onde fala de causos de terror.

“Eu fiz Contos Malditos 1 com base no conto de um amigo. Tem uma história só, e arquei com os custos. Depois os outros amigos do canal se instigaram, e fizemos juntos o Volume 2, com três histórias diferentes e todas independentes”, explica. “Embora só tenha lançado coisas nesse gênero, pretendo tratar de outras temáticas no futuro. No fim das contas, gosto de uma história boa”, completa.

Roger Vieira

Roger entrou conhecendo mangás e animes, até que conheceu os quadrinhos e já começou a escrever roteiros próprios, mas sem publicações. Até que, em 2017, lançou sua primeira publicação, independente: Não Tenho Uma Arma. “Eu lancei ela na CCXP Nordeste, e foi muito bem recebida. No fim do ano, levei pra São Paulo e distribuí em várias gibiterias de lá”, conta.

A revista em questão foi considerada uma das 30 melhores do ano da revista O Grito. “Eu já escrevo desde os 2016, mas ela foi a primeira que eu imprimi um monte de cópia e saí distribuindo, vendendo”, completa.

Para este ano, está sendo preparada uma obra autobiográfica Aterro, que fala da sua relação com a rua onde morou em Maranguape, Paulista. A via tinha um canal que servia de depósito de dejetos dos moradores e até de cadáveres, entre outras histórias. A revista será lançada na Feira Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte.

Lehi Henri

Lehi começou a fazer quadrinhos há três anos, enquanto trabalhava numa empresa de animação. Seguiu conciliando as duas funções. Nesse período, fez ilustrações e direção artística para a Pindorama. Atualmente, publica tirinhas na Folha de Pernambuco e está produzindo sua obra solo, que fala sobre doenças invisíveis, tipos de agressões e principalmente relações abusivas.

Matheus Mendonça

Matheus é quadrinista da série La Basura, onde conta a história de um mendigo que virou lutador de ringues. Paralelo a isso, alimenta o canal All Blue, no YouTube, faz análises bem humoradas sobre quadrinhos japoneses, os mangás. Sua história com quadrinhos começou em 2012, quando decidiu dar vazão às vontades que tinha de se comunicar através dos desenhos.

No YouTube, já postou mais de 2,4 mil vídeos, tem quase 150 mil inscritos e mais de 24,8 milhões de visualizações. Em La Basura, já vai no capítulo 15.