Atualizado em 19/4/2018, às 14:31

Nos anos 1990, uma “nova onda” (que não é a new wave), vinda da Coreia do Sul, começou a avançar mundo afora e, desde então, vem ganhando fãs por onde passa. A Onda Hallyu (ou “onda cultural coreana”) trouxe com ela o K-pop, uma das febres entre jovens do mundo todo. Inclusive, no Brasil. Inclusive, no Recife.

O Korean Pop é a vertente musical da Onda Hallyu (que também engloba filmes, séries, jogos online e novelas coreanas, os k-dramas). São grupos e artistas solo que mesclam influências das boy e girl bands norte-americanas ao idioma sul-coreano. Os clipes são superproduções cinematográficas, com figurinos e coreografias de cair o queixo.

Ingressos da Bienal Geek já estão à venda

O grupo pioneiro de K-pop foi o Seo Taiji & Boys, surgido nos anos 1990, ainda na primeira geração do segmento. De lá para cá, com a popularização do estilo, bandas como BTS, Shinee, Twice, BlackPink e NCT têm sido os nomes de maior alcance internacional.

Mas, o boom de verdade, que popularizou o K-pop globalmente, veio com o hit Gangnan Style, do rapper sul-coreano Psy. Desde quando foi lançado, em 2013, até hoje, o vídeo oficial conta com 3,1 bilhão de visualizações no Youtube.

Os números indicam, também, que o K-pop tem sido muito lucrativo. Segundo a revista Time, essa vertente de entretenimento arrecadou, no ano de 2012 (antes ainda de Gangnan Style), em torno de US$ 3,4 bilhões, sendo considerada pela publicação “a maior exportação da Coreia do Sul”.

Esse fenômeno global estimulou o surgimento de grupos de dança, em geral, formados por jovens que reproduzem as coreografias dos principais grupos e artistas coreanos. Estão espalhados por todo canto. E pelo Recife também.

K-pop no Recife

Chiu Yong Chang tem 23 anos. Nascido em Olinda, os seus pais são de Taiwan (lá, o sobrenome vem à frente, e ele se chama Yong Chang Chiu). A origem asiática lhe rendeu o convite para participar do K-Hyung, grupo de K-pop recifense.

O K-Hyung coleciona prêmios em competições de k-pop no Recife e no Brasil. Localmente, já conquistaram o 1º lugar no Concurso de Dança do Anima Recife (2012) e no Super-Con (2013), importantes eventos da cultura oriental na cidade. Em 2015, foram os campeões do Kpop World Festival (na categoria dança), realizado em Brasília (DF).

“O K-Pop vem sendo muito estimulado na região Nordeste, porque existem muitos grupos que vêm praticando essa modalidade de dança. E no Recife, também, são muitos fãs”, diz Chiu.

“No Parque da Jaqueira, no Parque Dona Lindu, existem vários grupos de K-pop, pessoas fazendo ensaio, treinando”, conta Chiu sobre a popularização do segmento no Recife.

Chiu, 23 anos, é um dos fãs de K-Pop na terrinha (Foto: Reprodução/Facebook)

Além do K-Hyung, Chiu cita outros grupos de K-pop no Recife, como o Refresh, o Ace Dance Group e o Joker Dance Group. “São grupos formados por pessoas mais experientes, alguns da área de dança, que têm conquistado vários prêmios também”.

As meninas também aderiram ao K-Pop. Grupos formados só por integrantes femininas também têm aparecido por aqui. Petit Cherie Dance Team, Hachi Machine, Stage Zero Dance Team, Sugar Rush e P2R2 são apenas alguns dos tantos que vêm se multiplicando na cidade.

Petite Cherie é um dos grupos femininos de K-pop no Recife (Foto: Reprodução/Facebook)

Alice Neres, 20 anos, faz parte do Petite Cherie desde 2016. Conheceu o K-pop a partir de vídeos aleatórios que encontrou na internet. “O que eu gostava mais era que os MVs sempre eram bastante coloridos, com dança e músicas chicletes. Ficava na cabeça”.

Outro sinal de que o mercado consumidor de K-pop vem crescendo no Recife foi a apresentação inédita do grupo sul-coreano MVP na cidade, em janeiro deste ano. “A América Latina é uma oportunidade de mercado a se explorar, em especial Recife, onde o público é imenso”, avalia Chiu.

Os coreanos do MVP estiveram no Recife, em janeiro (Foto: Divulgação)

K-pop na Bienal

A Bienal Geek de Pernambuco, que acontece nos dias 26 e 27 de maio, também terá a participação dos k-poppers. A partir desta sexta (20) até o dia 30 de abril, estão abertas as inscrições para o concurso de covers que acontece no palco principal da Bienal, com 32 vagas. Os selecionados serão divulgados no dia 4 de maio.

Tem também o pocket-stage, espaço reservado para apresentações livres para solo, dupla, trio e grupos de quatro pessoas. As inscrições vão de 5 ao dia 20 de maio e contam com 20 vagas.

As informações e as inscrições estão disponível no edital online.