Quem conhece agora até pensa que é moleza passar o dia jogando e transmitindo na internet. De fato, não é das atividades mais duras da vida. Mas ser streamer requer uma dedicação e uma organização da rotina, se quiser crescer em audiência. Antes de seguir, vai um recado: os dois entrevistados deste post estarão na Bienal Geek de Pernambuco, que acontece neste fim de semana, no Centro de Convenções de Pernambuco.

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Mas veja, não é bem passar o dia todo jogando. Milena Bragatti tem uma logística de horários para fazer seu trabalho, estudar e ir à faculdade e ainda fazer sua live diária. “Eu calculei meu tempo e fiz meu cronograma. Tem dias em que eu jogo pela manhã e tem dias em que eu jogo à tarde, mas tudo isso é avisado com antecedência para os seguidores”, explica a streamer do canal MenyeB, no Twitch.

“Se a gente não cumpre, a galera já cobra seu horário. Se desaparece sem dar satisfação, tem gente que fica chateada. É como um encontro, onde a pessoa vai e quer encontrar você”, acrescenta.

Mauro Pugliesi, o MaurinBoo, já sentiu na pele a insatisfação do público com suas ausências. “Fiz uma semana de live e já tinha um pessoal legal. Na outra semana, passei três dias sem fazer e, quando eu voltei, já tinha diminuído o número”, conta.

“Eu também via como uma brincadeira. Comecei brincando no computador do meu irmão. Hoje tenho uma bancada e falo que dedico isso como um trabalho”, acrescenta. “Mas eu tenho a consciência que tem uma pegada séria, porque as pessoas seguem o que você faz. Tem crianças que me seguem, e eu sei que posso ser um espelho de alguma forma pra elas”, completa.

MenyeB começou a streamar (sim, esse é o verbo usado entre os streamers) há oito meses e tem uma média de 100 horas de live por cada 30 dias. “Eu sempre gostei de jogar, mas nunca fui muito de consumir conteúdo. Meu namorado até assistia a streamers, mas nunca dei bola. Até que uma amiga minha começou a fazer live. Aí foi quando eu vi que aquilo poderia ser pra mim também”, conta. “Apaixonei, porque acho muito legal o contato com pessoas novas, e cada dia tem uma pessoa nova no meu canal”, afirma.

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MaurinBoo tem mais de 100 vídeos em 4 meses de lives no Twitch (foto:reprodução)

Tanto ela quanto MaurinBoo, que tem quatro meses de atividades, não têm a intenção de ser experts nos jogos. O objetivo é entreter e, segundo eles, essa é a fórmula que tem dado certo.

“Eu jogo mais por diversão, pra entreter a galera. Em alguns jogos, eu consigo dar algumas dicas, mas normalmente sou um jogador mediano”, afirma. “O público quer mais se entreter do que aprender novas técnicas”, diz.

Em termos financeiros, a vida de streamer ainda não é muito bem resolvida no Brasil. Fora do País, há o costume dos seguidores doarem dinheiro para o canal. “No Brasil, essa atividade tem cerca de cinco anos e só a partir do ano passado é que um ou outro começou a viver das lives”, comenta Mauro. Outra forma de financiamento é através das publicidades que são exibidas nos canais.

MenyeB conta que já chegou a receber dinheiro tanto de doação quanto de publicidade, mas ainda não é suficiente para pensar em largar o trabalho. “Já consegui comprar uns equipamentos melhores, como webcam e microfone com doação da galera”, afirma.

Assédio

Por ser mulher, MenyeB, além de encarar olhares tortos de quem não entende a atividade de streamer, tem que lidar com o machismo de alguns espectadores que chegam em seu canal. Não são raros episódios em que ela e outras meninas recebem mensagens preconceituosas e pornográficas.

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Tanto que já existe um grupo em que elas se apoiam e trocam informações sobre esse tipo de caso. “Acontece muito assédio, principalmente no começo do canal, quando tem poucas pessoas assistindo. As pessoas entram e dizem o que querem e não tem muita gente pra defender o streamer”, relata.