Ao longo de minhas andanças, quando eu falo de onde eu sou, noto que algumas pessoas estranham o nome do meu bairro. “Pina?”, “Pina colada?”, “Oi?”. É mais ou menos assim. Pois bem. Este post vem para encerrar essa dúvida e adiantar o papo.

Pina é um sobrenome português que batizava o capitão André Gomes Pina, que herdou dos colonizadores uma das ilhas da região: a da Barreta. De lá, ele comercializava açúcar para a Europa e, para isso, explorava a mão de obra escrava, se aproveitando de escravos que fugiam de seus senhores para tentar viver de pesca no manguezal.

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De acordo com o escritor Oswaldo Pereira, em seu livro Histórias do Pina, a partir dessa época, quando o local era comandado pelo capitão André Pina e seu irmão Francisco Thaide Pina, conhecido como Cheira Dinheiro, o restante da cidade passou a identificar a área como Pina.

O livro ainda conta que o manguezal tinha cinco ilhas, além da Ilha do Pina. Eram elas: Ilha do Cheira Dinheiro (irmão do capitão), das Cabras, do Bode (onde eu nasci ❤), da Raposa e do Felipe, onde hoje é o Jardim Beira-Rio e o Shopping RioMar.

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No entanto, os irmãos Pina comandaram a área até a chegada dos holandeses, em 1630, quando tiveram de fugir atravessando um braço de rio que separava a Ilha do Pina da localidade que posteriormente viria a ser Boa Viagem, na altura do que hoje é o Primeiro Jardim.

Reza a lenda que eles teriam enterrado, na altura do Primeiro Jardim, um baú com toda a fortuna adquirida com a venda de açúcar e exploração de trabalhadores. A população, por sua vez, teve que fugir para os redutos de resistência nas terras do Engenho Muribeca em Jaboatão dos Guararapes.