Atualizado às 20h25 do dia 20/12

Uma ameaça tem tirado o sono das pessoas que comercializam alimentos na Praia de Boa Viagem. É que o decreto municipal Nº 24.884, de 2009, proíbe a manipulação e preparação de alimentos na praia e no calçadão tanto no Pina como em Boa Viagem. A regra existe faz tempo, mas agora o poder público resolveu executá-la, tomando as carroças. A fiscalização já teve início.

“Começaram pelas carroças que vendem peixe frito, e agora a tendência é que cheguem na gente”, comenta o vendedor de queijo assado, José Genário, de 33 anos. Há quatro anos nas areias de Boa Viagem, o comerciante conta que nunca tinha visto uma fiscalização ou recebido alguma comunicação por parte da Prefeitura do Recife sobre a legalidade de sua atividade.

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“Eu ouvi dizer que fizeram um cadastro, mas nesses quatro anos que eu tô aqui, eu nunca vi nem fazer novo, nem renovar os antigos”, acrescenta. “Eu procuro trabalho por aí, mas nunca tem. Eu dependo disso. Se tirarem isso da gente, a gente vai protestar. Eu vou ser o primeiro a fechar a avenida”, completa.

Já Wellington José da Silva, de 34 anos e experiência de cerca de 10 anos com comércio na praia, cobra uma alternativa. “Eles vão dar emprego? Já botei currículo por aí e nada. Se não fosse o queijo que eu vendo aqui, como eu ia sustentar minha família?”, questiona.

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A Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife (Semoc) destaca, por meio da assessoria de imprensa, o perigo que a preparação de alimentos oferece aos usuários da praia. Entre os riscos apontados, estão o de queimadura nos banhistas – que pode ser causada pelo óleo quente ou pelas brasas acesas – e de explosão em caso de uso de botijão de gás.

A Semoc ressalta ainda que realizou conversas com os ambulantes explicando a situação e reafirma que vai continuar com a fiscalização até que o comércio na praia seja ordenado. Por enquanto, nenhuma negociação foi aberta.