Nascido em 1935, dois anos após a fundação do Banhistas do Pina, Lindivaldo Leite, conhecido por todos na Comunidade do Bode como Vavá, tem sua história construída em paralelo com a do bloco carnavalesco do qual é o atual presidente. No entanto, apesar dos 82 anos vividos e de ter comemorado 24 títulos do Banhistas, Vavá ainda não realizou um sonho e tem urgência para realizá-lo: dar uma função social significativa ao Banhistas.

Ele lembra das festas realizadas pelo bloco na época em que não havia brigas, muito menos brigas com desfecho letal. "Naquela época, todo mundo brincava sem brigar. Era tudo na paz, não tinha esse negócio de bala nem nada", conta. "A gente saía com o bloco pelas ruas e terminava sempre na casa de alguém", lembra.

Vavá conta que o Banhistas foi criado antes mesmo de seu nascimento, em 1932, como uma alternativa para as mulheres da comunidade brincarem o Carnaval sem se submeterem à violência frevo característica da época. "Sempre foi assim, através da união das jovens que dançavam pastoril no bairro, que contavam com a ajuda dos maridos quando era necessário", afirma.

"A gente andava muito por essas terras. Era tudo mangue, e as famílias vinham chegando e aterrando. A Rua 12 de Julho não existia na época. Era um rio, e a gente tinha que atravessar uma ponte de madeira para entrar no Bode", disse.

"E eu cresci no meio dessa movimentação toda. As famílias se reuniam para brincar o Carnaval. A sede do Banhistas ainda era de madeira e era pequena, então a gente brincava na rua mesmo. Começava na minha casa, depois ia para a casa de Dona Genu, de Seu Novamente, ia para a outra rua, na casa de Luiz Faustino, e assim ia", lembra.

Hoje, o desejo de Vavá é utilizar a sede do Banhistas em prol da juventude do Bode tanto para recuperar os jovens quanto para formar as próximas gerações do bloco. "Banhistas é uma agremiação carnavalesca, mas poderia ser muito mais. Meu sonho é usar isso como um ponto de cultura e fazer alguma coisa para tirar menino de rua", conta.

Para isso, Vavá espera contar com o apoio de pessoas mais jovens para dar o ponta-pé inicial. "A gente pode colocar curso de música aqui, para os meninos aprenderem algum instrumento. Pode usar a sala de costura para ensinar os jovens a fazer suas fantasias, e por aí vai", encerra.


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