No dia seguinte à informação que tomou conta das redes sociais na cidade, sobre toque de recolher imposto por traficantes nas proximidades do Shopping Recife, a reportagem do PorAqui foi para a rua conversar com quem mora, trabalha e tem comércio na área. O sentimento, na Ilha do Destino, às margens da Via Mangue, é de medo. Nenhum dos entrevistados quis ser identificado.

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A dona de uma mercearia disse que ouviu sobre o toque de recolher, mas não viu nada acontecer na comunidade do fim da tarde de ontem até o início da tarde de hoje (quarta, 8). Mesmo assim, as informações que circularam on e offline prejudicaram bastante o negócio dela. A comerciante não conseguiu vender um biscoito sequer de ontem para hoje (quarta, 8). 

"Na verdade, desde o tiroteio os próprios moradores daqui estão com medo de circular", afirma. O fato aconteceu na última segunda (6).

O funcionário de uma loja na Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, a rua do Colégio Boa Viagem, também ficou sabendo da possível imposição dos traficantes e sentiu a mudança na Ilha do Destino, apesar de não ter presenciado nenhuma ação por parte do tráfico de um dia para o outro.

"Sempre vou lá para lanchar. Hoje cheguei no mercadinho e me aconselharam a tirar o capacete, para ser rapidamente identificado caso houvesse algum problema na Ilha. Os comerciantes estão dando essa indicação para todos os fornecedores do comércio local", conta. 

A reportagem também ficou com receio de circular com o celular pelo entorno. Por isso a ausência de mais imagens.

Viatura: procura-se – Durante 15 minutos, percorremos as proximidades da Ilha do Destino, entre as ruas Benvida de Farias e Wanderley Filho, e não vimos nenhuma viatura da polícia passando. Havia pouca gente circulando pelas ruas.

Entra Apulso – O PorAqui também visitou o entorno da comunidade Entra Apulso, perto do Shopping Recife. Por lá, os depoimentos foram bem semelhantes: as pessoas ficaram sabendo do toque de recolher através da internet e de pessoas que saíram comentando na comunidade, mas dizem não ter provas. Falamos com cinco pessoas, entre moradores, porteiros, trabalhadores e comerciantes. Nenhuma quis ser identificada.

O funcionário de um estacionamento comentou: "Aqui está tudo tranquilo. Não existe isso de toque de recolher. As pessoas estão inventando. Meu patrão me ligou ontem dizendo que eu fechasse mais cedo, mas eu continuei normal, porque era boato".

"Eu ouvi comentários ontem e até fechei mais cedo, mas hoje não ouvi nada ainda, não", afirmou um comerciante da Rua Ribeiro de Brito.


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