Por Sônia Estrada

Até a guerra de 1914, toda a região que hoje compõe o Oriente Médio não tinha fronteiras (talvez seja exceção o Egito, a Síria e o Irã) definindo os países que conhecemos hoje como Arábia Saudita, Kwait, Bahrein, Iêmen, etc.

A população dessa região, em sua maioria, vivia do pastoreio de cabras, carneiros e alguma atividade agrícola. O comércio era quase todo na base do escambo (troca de mercadorias) e a moeda mais aceita era a libra esterlina de ouro (quase sempre para ser entesourada).

As rivalidades tribais e religiosas eram as causas dos maiores conflitos. No final da Primeira Guerra Mundial, o Brasil era totalmente desconhecido naquela região.

O avanço da economia americana com o fim da guerra de 14 fez com que a América se tornasse a terra da promissão para muitos jovens daquela região. Sem capital e sem profissão, a Ilha Ellis, em Nova York foi a saga dos não aceitos pelo Departamento de Imigração.

Despachados compulsoriamente para outras regiões, muitos foram acolhidos pelo Brasil. Aqui o choque cultural foi imenso e, ao mesmo tempo, gratificante (sem as causas que lá promoviam conflitos). Os parentes que lá ficaram recebiam essas notícias e decidiram emigrar também para cá.

Sem a profissão, passaram a exercer a que mais sabiam: o comércio. A falta de capital impedia grandes negócios. Daí surgiram como mascates, ambulantes com baús que eram carregados nas costas semelhantes a um pequeno armário (daí o nome armarinho).

Para mascatearem, precisavam de licença da prefeitura, porém esta limitava o número de mascates. Um comércio de licenças já concedidas se desenvolveu entre árabes e recifenses. A licença era uma placa de metal com o nome do mascate, que a usava pregada no peito.

Muitos árabes se tornaram conhecidos por nomes que não eram os seus, e sim do mascate que lhe vendera sua licença. Meu pai se chamava Abraão, mas aqui no Pina era conhecido como Seu Antonio, nome da placa que comprou.

O sotaque e as palavras pronunciadas erradas formavam a gozação dos nativos sobre essa gente e atraía a preferência daqueles para as compras com os árabes, que espertamente usavam as palavras erradas como marketing.

No início, o local preferido para moradia no Recife foi o Centro da Cidade, onde o comércio se concentrava. Mas a urbanização de locais mais afastados e a possibilidade de comprar moradias maiores e baratas despertaram o interesse de um grande número de famílias árabes.

O Pina exerceu atração para que muitas famílias se juntassem formando uma grande colônia árabe. Famílias que fizeram parte dessa colônia: Cabaz, Cabus, Nader, Haluli, Tumajan, Mucarbel, Amin, Faran, Gíries, Gibrail, Tauk, Auez, Matne, Suah, Saleme, Maaze, Nejaim, Hamad, Karam, Kouri, Ajame, Janour, Sultanum, entre outros.

Essa comunidade árabe se dispersou com a morte de seus chefes, pois os laços familiares foram afrouxados. Hoje, no Pina, pouco se encontra da descendência dessa colônia.


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