Circular pelas ruas de Boa Viagem e do Pina não tem sido uma missão fácil para quem utiliza cadeira de rodas. Fazer um percurso pequeno para visitar um parente que mora a alguns quarteirões ou ir para a escola e trabalho vira uma aventura perigosa com riscos que vão desde queda até atropelamento. Isso porque, em muitas ocasiões, os cadeirantes precisam desviar os obstáculos das calçadas pelo asfalto, entre os carros.

O PorAqui conheceu a rotina de duas pessoas que se arriscam entre os carros diariamente porque os obstáculos da calçada – passeio de pedestres – são maiores que os da rua. Ivoneide dos Santos tem a missão de levar sua filha Yslla Rafael de Queiroz para a escola.

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Ela já desistiu do transporte público e percorre cerca de dois quilômetros duas vezes por dia em vias estreitas e, às vezes, sem calçada. “Eu já coloquei na cabeça que não posso esperar por ninguém. A demora do ônibus com elevador é demais, e quando chega, o motorista diz que o elevador está quebrado. Isso quando ele não queima a parada”, afirma.

Para ir à escola, Yslla percorre cerca de 2 km entre os carros duas vezes por dia (foto: reprodução)

“Eu vou pela Av. Encanta Moça, e as calçadas são sempre ocupadas por alguma coisa. Aí a gente tem que ir pelo meio da rua, arriscando ser atropeladas”, conta. “Na maioria das vezes, os carros não respeitam, não reduzem a velocidade, e a gente tem que se espremer para não ser atingidas”, acrescenta.

Em Boa Viagem, Maria da Conceição Chaves não tem a rotina muito diferente. Mesmo morando à beira-mar, ela não tem facilidade para visitar parentes ou vizinhos em ruas adjacentes. O PorAqui andou com ela e constatou vários obstáculos tanto na Av. Boa Viagem quanto na Rua dos Navegantes. A Rua Padre Carapuceiro completaria o percurso, mas acabou sendo desviada por ser impossível passar por lá.

Na Rua Padre Carapuceiro, em Boa Viagem, mesmo a pé, é difícil andar pela calçada (foto: Geraldo Lélis/PorAqui)

“As calçadas são péssimas. Eu já fiz várias denúncias, mas não tem jeito”, reclama. “Um dia desses, eu fui num restaurante na Conselheiro Aguiar e não consegui andar na calçada com as raízes das árvores saindo do chão. Tive que ir para o asfalto, me arriscando com carros e ônibus”, relata.

Passar pela Rua dos Navegantes, só entre os carros (foto: Geraldo Lélis/PorAqui)

“A Navegantes nem se fala. A calçadas têm árvores com raízes altas, comércio e buracos também”, completa.

A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) afirmou à época que há um projeto para readequação de calçadas na cidade, mas que o foco é nas vias de grande circulação. No entanto, a Rua dos Navegantes, em Boa Viagem, e a Av. Encanta Moça, no Pina, seguem do mesmo jeito.

Publicado em 11 de outubro de 2017 e atualizado em 21 de agosto de 2018