Um dia após o início da entrega dos novos equipamentos aos barraqueiros da Praia de Boa Viagem, o PorAqui circulou pelo trecho entre as ruas Antonio Falcão e Henrique Capitulino, próximo ao Terceiro Jardim, e o que o conteudista encontrou foi alguns comerciantes elogiando a iniciativa de uma empresa privada bancar esses equipamentos, mas também há alguns na bronca.

Uma das queixas é com relação aos cursos de capacitação prometidos pela empresa que está patrocinando a padronização no trecho. Os barraqueiros dizem não ter sido avisados. A Uninassau explica que tem as condições de estrutura e corpo docente para oferecer os cursos, mas precisa definir detalhes na parceria com a Prefeitura do Recife para então marcar as datas e montar a grade dos cursos.

"É bom, porque a gente vai ver a praia padronizada, e isso deve atrair turistas. Mas a parte ruim é que fizeram um negócio desse sem uma pesquisa com os comerciantes", se queixa o barraqueiro Everaldo Cordeiro, que atua na orla há 34 anos. 

"Se uma cadeira dessa é roubada, a gente tem que pagar ou dar parte na delegacia. Vai ser muito ruim a pessoa ter que parar seu comércio para dar parte numa delegacia", acrescenta.

"Agora essa história aí de curso, eu só soube pela imprensa. Não chegou ninguém para dizer nada para a gente não", completa.

Já André Santos, conhecido na praia como Marrom, ficou contente. "Vai ser bom. Agora é cuidar bem das cadeiras, das caixas térmicas, etc. para poder durar", diz. "A única coisa que eu achei ruim foi que a carroça é menor que a que eu já tinha", reclama.

Cerca de 50 metros próximo da barraca de Marrom, estão as barracas dos irmãos Jucélio e César. O primeiro estava na orla nesta quarta-feira (19). Ele ainda não havia recebido o novo kit, mas já se queixava da possibilidade de ter menos cadeiras baixas, que são aquelas permitem a pessoa deitar. 

"Se vierem poucas cadeiras baixas, vai ser ruim pra mim, porque os clientes vão reclamar, principalmente as mulheres, que deitam para pegar um bronze".

Ruan Efri também gostou de poder usar novos equipamentos, mas destaca a necessidade de os mesmos serem de qualidade igual à que era usada antes. 

"A gente sabe os equipamentos que a gente escolhe para usar aqui. Às vezes bate uma chuva de vento que sai levando os guarda-sóis e, se eles não forem bons, não resistem", aponta o barraqueiro que também não havia pego o kit ainda.

A entrega para os comerciantes cadastrados que atuam no trecho citado está sendo feita desde a última terça-feira (18) e vai até esta quinta (20). De acordo com os barraqueiros, a orientação da Prefeitura do Recife é que, a partir do feriado de Tiradentes, na sexta (21), quem não estiver usando o kit novo não poderá comercializar.

Ao todo, 73 barraqueiros que atuam nos 850 metros do trecho estão recebendo o material. Foram distribuídos umbrelones (tipo de guarda-sol maior), cadeiras, mesas de apoio, espreguiçadeiras, caixas térmicas, carroças, camisas UV, batas e viseiras. O investimento é de R$ 2 milhões e é feito pela Uninassau.


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