Um ano e três meses depois da morte de dois jovens na calçada da Rua Dom João VI, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, moradores da Comunidade Entra Apulso voltaram a se manifestar cobrando que a justiça seja feita contra o homem que causou o atropelamento da dona de casa Isabela Cristina de Lima, de 26 anos, e de Adriano Francisco da Silva, 19.

“A gente tem medo de colocar o pé na rua”. Insegurança toma conta de Boa Viagem

“Você vê como é a justiça para quem é pobre. O rapaz atropelou Isabela e Adriano e ainda debochou dos corpos e não aconteceu nada. A polícia ainda foi contra a gente, agredindo os moradores. E num caso como esse de domingo, na Tamarineira, o acusado já foi preso”, reclama Alda de Souza, companheira de Isabela.

Faixas foram colocadas na frente da casa que foi atingida pelo carro que vinha desgovernado na saída do Túnel Augusto Lucena. Nas mensagens, havia vários pedidos de justiça. Uma das faixas dizia que o crime está se tornando impune. De acordo com reportagem do Jornal do Commercio à época, o suspeito foi identificado como Pedro Henrique Machado Villacorta.

O rapaz teria sido detido em flagrante por um policial militar, que teria recebido ordens para soltá-lo. Na época, a Polícia Militar e Secretaria de Defesa Social (SDS) prometeram abrir sindicância para apurar o caso. Posteriormente, ele foi indiciado pela Polícia Civil e, em junho deste ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco decidiu que ele será julgado em júri popular por homicídio doloso. No entanto, a data ainda não foi definida.

Após o atropelamento, moradores realizaram vários protestos na localidade pedindo tanto justiça quanto um controle de velocidade na área, até que foram instaladas lombadas eletrônicas com limite de 50 km/h. No entanto, a justiça ainda não foi feita.

O protesto desta terça (28) ocorre dois dias após a morte de duas mulheres e um menino em um acidente no bairro da Tamarineira, Zona Norte, ocasionado por um motorista que havia ingerido bebida acoolica e avançado um sinal vermelho. Ele atingiu um carro que transportava uma família com pai, mãe, duas crianças e uma babá que estava grávida. A mãe, a babá e um dos filhos morreram. A filha e o pai seguem internados em estado grave.