Hoje, Dia Internacional da Mulher, o PorAqui Boa Viagem mostra um pouco da história de uma guerreira. Aos 74 anos, Aurieta Duarte Xenofonte, conhecida em todo o bairro do Pina como Irmã Aurieta, não mede esforços para trabalhar em favor do próximo. Há 34 anos, antes mesmo da instituição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ela fundou a Turma do Flau com o objetivo de atender filhos de pescadores de Brasília Teimosa.

Hoje, ela atua também na Pastoral Carcerária e desenvolve um trabalho junto com a Universidade de Harvard e com a Organização Justiça Global para solucionar os problemas do Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife.

No início, as crianças eram preparadas para trabalhar vendendo picolé e ajudar na renda de casa, mas com a criação do ECA, a atividade foi readequada, e os meninos e meninas passaram a receber outros tipos de formação.

“Naquela época, ainda não existia o ECA, então a gente iniciou um trabalho com as crianças filhas de pescadores, porque o bairro era muito carente e começamos preparando as crianças para o trabalho, porque era uma prioridade da época”, conta.

No início, eram atendidas 12 crianças, mas a Irmã Aurieta contabiliza que mais de 2 mil já tenha passado pela ONG. “Hoje é um trabalho de preparação para a vida. Agora fomos aprovados num projeto do governo alemão, em que levamos famílias carentes para Aldeia para aprender a plantar. E aqui dentro a gente faz um trabalho com as crianças para que elas não vão para o Centro da Cidade se marginalizar”, explica.

O dia da Irmã Aurieta começa cedo e não tem hora para acabar. Ela, que já mora no trabalho, acorda para atender pessoas e atende para dormir. “Deus dá a força e graças a Ele eu tenho 74 anos e com uma saúde extraordinária. E enquanto eu tiver saúde eu vou trabalhar em favor do próximo, porque é assim que tem que ser. E faço com muita alegria e com muito prazer e cada dia renovo minhas forças quando vejo as crianças serem atendidas aqui no Flau”, Afirma.

No entanto, Irmã Aurieta se queixa de não poder atender mais que 100 crianças na Turma do Flau por falta de apoio financeiro. Ela reclama que o poder público se distanciou do projeto e que a Prefeitura do Recife deve dois anos de cachê por apresentações das crianças durante o Carnaval. 

“Graças a Deus, a comunidade acredita muito no nosso projeto e nos dá muito apoio, porque o governo só enxerga na hora de prender. Quando essas crianças chegam aos 17 anos, que a gente devolve para a sociedade, o governo não dá apoio”, desabafa.


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