A década era 1940, e a época era de badalação pelas bandas do Pina. Entretenimento não faltava na área entre o fim da Av. Herculano Bandeira, a praia e o início da Av. Antonio de Góes, e um dos equipamentos a serviço do lazer era o Cinema Atlântico, localizado na Av. Conselheiro Aguiar com saída para a Rua Jeremias Bastos.

Construído em estilo Art Decor pelo grupo Luiz Severiano Ribeiro e com capacidade para 350 pessoas, o Atlântico ficou marcado por ter resistido o máximo que pode, e, desde 1985, sua fachada ficou como legado para o Teatro Barreto Junior.

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O cinema de rua do Pina ficou marcado por exibir estreias nacionais e estrangeiras, com preços populares voltados para os moradores da região naquela época.

“Na época, era uma festa. Na frente, tinha uma lanchonete chamada Leiteria que reunia muita gente, e as pessoas iam para o cinema e, na saída, fazia um lanche”, conta João Bosco Galvão, morador do Pina.

“Eu não pagava, porque meu pai era gerente do Cinema São Luiz, na Cidade (bairro da Boa Vista), e ganhava ingressos e distribuía para mim e meus irmãos, mas o preço era mais barato mesmo em relação a outros lugares”, comenta Bosco.

Aos domingos, a calçada do cinema era ponto de encontro de adolescentes durante a tarde, quando meninas e meninos vinham de todas as partes do bairro para trocar gibis, conversar e namorar. “Durante as sessões também tinha muito namoro. Era tanto que tinha sempre um policial da Rádio Patrulha fiscalizando dentro da sala”, recorda.

Cerca de 40 anos depois da fundação, o prédio foi adquirido pela Prefeitura do Recife, que restaurou a fachada e instalou por lá o primeiro teatro da Zona Sul da Cidade, homenageando o ator José do Rego Barreto Júnior.