Um ano e dois meses depois da demolição do Edf. Caiçara, na Av. Boa Viagem, no Pina, Zona Sul do Recife, a construtora Rio Ave ainda não tem um projeto para o terreno. A informação foi repassada pela assessoria de imprensa da empresa quando questionada pelo PorAqui.

A demolição ocorreu depois de uma batalha judicial entre a incorporadora e pessoas contrárias à ação, lideradas pelo grupo Direitos Urbanos.

Elas reivindicavam que fosse dada pelo Judiciário uma declaração de valor histórico e cultural, para que a Prefeitura do Recife ou o Governo do Estado mantivesse as características do prédio erguido na década de 1930. Ele era tido como uma das últimas representações da arquitetura neocolonial na cidade.

O terreno foi adquirido pela Rio Ave em 2013 e teve a demolição iniciada no mesmo ano. Porém, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) embargou a ação, alegando que estava em andamento um processo de tombamento do Caiçara.

Enquanto isso, um parecer da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural da PCR era favorável à transformação do Caiçara em Imóvel Especial de Preservação (IEP) – equivalente ao tombamento, dado em esfera estadual.

Edf. Caiçara era tido como uma das últimas representações da arquitetura neocolonial do Recife

No entanto, as decisões, que se encaminhavam a favor da preservação do prédio, foram dadas em prol da demolição tanto no Conselho Estadual de Cultura, que julgou pelo não tombamento, quanto pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU), que rejeitou a classificação do edifício como IEP.

Entre uma decisão e outra, o desembargador Erik Simões, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), anulou, em 5 de abril de 2016, a liminar que determinava a reconstrução do Edf. Caiçara. A demolição foi concluída dois dias depois.