Eu sou daqueles moradores que adoram o bairro. Faço questão de estar presente nos principais momentos da história da vizinhança. Por isso, eu carrego uma leve tristeza de não ter participado do desfile em carro aberto que a Seleção Brasileira fez na Av. Boa Viagem após vencer a Copa do Mundo de 1994. Na época, eu tinha 9 anos e passava férias na casa de uma tia, na Lagoa do Araçá. Como não tinha ninguém pra me levar, perdi.

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Mas o PorAqui é rochedo e foi atrás de alguém que contasse essa história para a gente. Era uma terça-feira e já fazia dois dias que o Brasil havia conquistado o tetracampeonato. Mas a população teimava em não parar de comemorar. Era uma época em que a paixão pelo esporte brasileiro era muito grande. Estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas lotaram a praia.

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“No meu caso e de muitos amigos a emoção começou dois dias antes, ainda no gramado, antes deles receberem a taça, quando abriram uma faixa que dizia que aquele título era também para Ayrton Senna, que tinha morrido há pouco mais de um mês”, explica o advogado Marco Rosati, morador de Boa Viagem. “Era como se a Seleção estivesse, com aquele tetra, nos reconfortando após aquela tragédia”, acrescenta.

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Marco e seus amigos tinham a companhia de milhares de torcedores de futebol que haviam deixado de lado a rivalidade entre clubes para reverenciar um time em comum. Um time que teve uma preparação turbulenta para aquela Copa e que encontrou no Recife um propulsor para aquela conquista.

A campanha nas Eliminatórias era irregular, e a classificação veio na última rodada, fechando uma arrancada que começou três rodadas antes, num confronto contra a Bolívia no Estádio do Arruda. O time liderado por Bebeto, ainda sem Romário, aplicou um 6×0 na Bolívia em meio a uma festa memorável da torcida recifense.

Aquilo mexeu com os jogadores e comissão técnica. Um ano depois, durante a preparação para a Copa, a Seleção ainda fez um amistoso conta a Argentina e venceu por 2×0 em mais um dia de festa no Arruda. Depois de conquistada a taça nos Estados Unidos, todos concordaram em fazer a primeira parada no Recife, antes mesmo de saldar o presidente da República.

“Eu já estava comemorando com meus amigos desde cedo e quando vimos aquela multidão descemos do prédio e ficamos esperando a Seleção”, comenta Marco. “Ao longo do calçadão, tinha muito gente. Como foi divulgado que Recife seria a primeira escala deles, deve ter vindo gente do interior, talvez de capitais vizinhas, tipo João Pessoa ou Maceió”, completa Rosati.

Os jogadores desfilaram em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros por cerca de seis horas sob aquele sol do fim da manhã entrando pela tarde. No entanto, nem atletas, nem povo se esquece daquele dia.