Uma escolinha de futebol, com mensalidade flexível que ensina a praticar o esporte mais popular do País e se preocupa em formar cidadãos. É assim que o professor de Educação Física Jorge Carneiro define seu projeto, que há 21 anos faz parte dos papos entre crianças e adolescentes do Pina e de Brasília Teimosa, com resenhas, comemorações de vitórias e lamentos de derrotas em campeonatos.

A Escolinha de Futebol Jorge Goleiro tem atravessado gerações desde 1996, formando equipes competitivas em vários campeonatos de bairro, embora o professor ressalte que seu objetivo é ocupar a cabeça da criançada. “A gente aproveita o sonho de ser jogador de futebol para afastar a criança de drogas e não deixar eles com a mente vazia, porque todos querem, mas poucos vão ser jogador”.

Outrora, o projeto funcionava em dois turnos com jovens de até 17 anos, mas com o passar do tempo, os horários foram diminuindo, e a faixa etária também. “Hoje em dia, a incidência do Sol está muito maior do que há 10 anos, então treinar aqui no calçadão de 9 horas da manhã passou a representar um risco muito grande para os meninos”, explica. Atualmente a escolinha tem 35 alunos com idade entre 5 e 15 anos.

“Eu prefiro trabalhar com as crianças, porque é nessa fase que a gente pode formar os valores na vida deles”, conta. “A gente procura passar, através do futebol, que eles também têm deveres, não só direitos. O menino chega aqui, eu procuro saber se ele foi para aula, se ele se alimentou, para onde vai depois do treino. Se não tiver indo para a escola, eu não deixo treinar”, acrescenta.

“Minha maior gratificação é ver hoje atletas formados, que conseguiram bolsa em escolas melhores por causa do futebol e com isso puderam se preparar melhor e concluir uma faculdade”, revela.

Antes de trabalhar com a escolinha, Jorge foi atleta profissional e defendeu o gol do Sport Club do Recife e outros clubes do Nordeste. Há cinco anos concluiu a faculdade de Educação Física e já recebeu várias propostas para trabalhar nas categorias de base dos três grandes clubes do Recife, mas tem adiado a mudança o quanto pode.

Os treinos ocorrem às segundas, quartas e sextas, das 14h30 às 16h30, e aos sábados a partir das 7h30 (Foto: Geraldo Lélis/PorAqui).

“Muitos me perguntam por que eu nunca eu sempre trabalhei na beira da praia e nunca quis ir para um clube com estrutura para trabalhar, e eu respondo sempre que nos clubes se busca transformar crianças em atletas, e eu busco formar cidadãos”, relata.

“Aqui eu introduzo a criança no esporte, mostrando a importância da bola, do jogo, mas sempre procuro sempre dizer que a vida não é só ser jogador de futebol”, explica. “Às vezes sai um jogador daqui, como um menino que chegou com 7 anos e não gostava de bola, mesmo sendo filho de ex-jogador de futebol, e hoje ele está nas divisões de base do Palmeiras, em São Paulo”, completa.

No entanto, um dos maiores desafios de Jorge Goleiro é lidar com as vontades dos pais. “Os pais precisam deixar os meninos à vontade para jogarem da forma que quiserem e na posição que quiseram. O problema dos pais é achar que seus filhos são o Neymar”, explica.

Mas a preocupação do momento é encontrar meios que garantam a continuidade do projeto, já que ele iniciou um estágio no Clube Náutico Capibaribe e vai precisar se ausentar um pouco mais dos treinos. “Comecei essa semana a ir para o Náutico e já me bateu uma saudade dos meninos, por isso instituí o treino aos sábados pela manhã. Enquanto isso, vai ter sempre um professor lá para cuidar deles”, conta.

Jorge tem tocado o projeto cobrando ajuda de custo aos pais dos alunos, com valores de acordo com as possibilidades da família, incluindo alunos que treinam de graça e outros que pagam até R$ 30, para manter estrutura de uniformes, água e material esportivo. “Eu iniciei esse projeto visando obter algum apoio de instituição ou até de político mesmo, mas nunca houve. Só agora nesses últimos anos é que o vereador Eduardo Chera me ajuda com alguma coisa”, finaliza.


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