Assim como num conjunto de roupas que precisam conversar entre si, está cada vez mais forte a orientação para que combinemos o tom da comida com o tom da bebida, e, claro, as cervejas também estão nesse contexto.

Enraizada na nossa cultura como uma bebida apenas recreativa, a cerveja tem mostrado diversos potenciais, inclusive, para ser inserida em jantares e almoços de gala, ao lado ou no lugar do vinho, por exemplo.

É o que explica o gerente comercial da Babylon e sócio do Babylon Kaffe Bar, Edson Freitas. “Quando a gente fala de harmonização, a gente imagina que, num jantar romântico, o vinho pode estar em todas as etapas, na entrada, principal e sobremesa, e o que a gente faz é mostrar que a cerveja também pode estar presente nesse âmbito”, comenta.

“Pode estar com uma entrada fria, com uma quente, com o prato principal, pode harmonizar bem com a sobremesa. O que eu digo sempre é que se permita experimentar isso”, acrescenta, citando que usa uma cerveja belga arrolhada com levedura de champagne, com preço que varia entre R$ 60 e R$ 110.

“Hoje existem cervejas com complexidades tanto quanto determinados vinhos, espumantes, cachaças, uísques ou outras bebidas. Então a gente pode, sim, ter cerveja ligada à alta gastronomia sem sombra de dúvida”, completa.

Eudes Santana e Lidiane Santos (do Kaffe) e Edson Freitas (da Babylon) são os idealizadores do Babylon Kaffe Bar (foto: divulgação)

Mas ele deixa bem claro que essas harmonizações não devem se sobrepor aos costumes das pessoas, como o casamento já bastante consolidado e estável do caldinho com a cerveja. Massivamente consumidos juntos na praia, a cerveja geralmente é uma do tipo American Standard Lager (Skol, Itaipava, etc.) ou Premium American Lager (Heineken), mas eles não nos proporcionam um terceiro sabor.

“É muito importante a gente utilizar como regra um estilo de harmonização, que é a cultural. Se a gente, como recifense, for buscar, na beira da praia, uma mistura dessas, sensorialmente falando, não tem nada a ver um com o outro. Ou seja, não vai haver uma harmonia. Mas é extremamente agradável você chegar à beira da praia e tomar um caldinho e uma cerveja dessas”, explica.

“O que é importante fazer é essa valorização do cultural e deixar as pessoas livres para escolherem aquilo que elas querem para harmonizar ou servir com a bebida”, acrescenta.

O BKB recebe oficinas sobre café, cerveja, cachaça e vinho (foto: Facebook/BKB)

“O que a gente procura fazer é dar uma diretriz, fazer com que as pessoas vivenciem experiências, mas que elas possam sair daqui e buscar outros elementos e buscar essas harmonizações com aquilo que lhe convém da melhor forma”, completa.

O Babylon Kaffe Bar é um lugar voltado para difundir a cultura das bebidas. Lá, todas as comidas são desenvolvidas a partir de alguma bebida da casa, alcoólica ou não. Além do café-bar, a casa funciona também como uma escola tanto para quem é profissional do ramo quanto para quem é um amante de bebidas, como café, cerveja, cachaça e vinho.

“Nosso trabalho é fazer com que o público vivencie uma experiência, e, através dessa experiência, a gente tenta difundir cultura e, além de educar profissionais para o mercado, como capacitação ou requalificação de mercado, a gente tenta fazer com que o público perceba a importância dessas bebidas”, explica.

Babylon Kaffe Bar
?Rua Capitão Rebelinho, 735, Pina
⏰ Ter a qui, das 16h às 23h; sex e sáb, das 16h à 1h; dom, das 15h às 20h
@bkbrecife