Há quatro anos no bairro da Várzea e com uma atuação ainda mais destacada, o Centro de Capoeira São Salomão começou suas atividades no Pina, onde participou do desenvolvimento de vários jovens e crianças da Comunidade do Bode com suas aulas diárias e sua tradicional roda às sextas-feiras.

Durante 16 anos, o espaço dentro da Galeria Joana D’arc promovia não só a capoeira, como também a mudança na vida de várias crianças, como fala o Mestre Mago. “Foram muitos aprendizados. Lá a gente realizava um trabalho com as crianças da comunidade, premiado nacionalmente várias vezes e que promoveu a possibilidade de desvio de trajetórias dramáticas”.

“A grande lição que o Pina trouxe é que é possível ter um sonho, ir atrás e fazer acontecer. Então foi uma prova material de que se pode ter um sonho”, acrescenta. “Até hoje contamos com vários professores nos nossos centros na Itália que surgiram dos alunos do Pina”, continua Mago.

As rodas aconteciam todas as sextas-feiras, como são até hoje (foto: Centro São Salomão/Facebook)

A expansão do Centro São Salomão para a Itália teve início em 2001, quando vários alunos foram para aquele país difundir a capoeira. Hoje, a instituição conta com vários centros espalhados pelo país europeu, além do intercâmbio que é feito com idas a outros locais e recebendo capoeiristas estrangeiros.

A despedida do Pina aconteceu em novembro de 2013, após a galeria pedir o espaço de volta sob argumento que a atividade não se enquadrava mais na proposta do empreendimento. “Nós ainda procuramos outro local no Pina, para não sair de perto da comunidade, mas o aluguel mais baixo que encontramos foi R$ 10 mil, o que tornou inviável para o São Salomão”, afirma Mago, lembrando de outras vezes que precisou se mudar.

“Eu fazia parte do grupo Meia Lua Inteira, que funcionava em Boa Viagem, dentro de um clube, até que esse clube foi vendido e nós passamos a funcionar no prédio do grupo teatral Arte Viva, que também acabou sendo vendido, e, em 1994, o Meia Lua Inteira foi para a Galeria Joana D’arc. Em 1997, eu saí do Meia Lua e abri o São Salomão”, conta.

Todos os dias, havia aulas para a criançada da comunidade (foto: Centro São Salomão/Facebook)

“A gente sempre teve essa pegada social, principalmente por causa da comunidade, com o objetivo de incluir a comunidade dentro do trabalho. A capoeira mexe com o social e serve de exemplo, de inspiração, para muita gente”, completa Mestre Mago.

Desde 2013, o Centro São Salomão funciona na Rua Amaro Gomes Poroca, na Várzea, Zona Oeste do Recife.