Há pelo menos nove meses afetando a vida dos camarões cultivados em viveiros do Nordeste, a doença da mancha branca é uma ameaça aos bons pratos preparados com o crustáceo na Semana Santa, período em que os frutos do mar estão em alta.

A doença, que afetou a criação tanto no Ceará como no Rio Grande do Norte, dois dos maiores produtores do Brasil, provocou uma redução de aproximadamente 75%, conforme dizem os produtores aos revendedores.

Para piorar a situação, a reprodução do camarão no mar passa por uma entressafra no Nordeste. A comerciante Katia Oliveira, que vende camarão e outros frutos do mar há mais de 40 anos no Pina, nunca viu uma situação dessas e teme pela movimentação de clientes às vésperas da Semana Santa.

“Eu não quero nem pensar como vai ser. Em anos normais isso aqui já é uma confusão enorme, mesmo tendo camarão para todo mundo. Imagina se tiver faltando camarão”, comenta Katia, que tem uma loja na Rua Tomé Gibson.

“Estamos com três barcos no mar procurando onde vai dar camarão para poder trazer, porque os de cativeiro estão vindo pouquíssimo”, acrescenta.

Mesmo assim, ela ressalta que espera uma solução para os cativeiros, pois o produto vindo de lá tem melhor qualidade. “Quando a gente vai num restaurante e pede camarão e vem de diversos tamanhos, esses camarões são do mar. No cativeiro é diferente, pois eles são cultivados com larvas do mesmo tamanho e crescem até ficar do mesmo tamanho”, explica Katia.

O resultado disso pode ser visto pelo cliente na hora de pagar pelo quilo do camarão. Os preços não param de subir. “O preço já subiu muito de uns meses para cá. Tem um camarão pequeno aqui que eu vendia a R$ 15 o quilo e hoje está custando R$ 20”, diz.

Enquanto o camarão tem preço subindo, algumas opções apontadas por Katia são outros pescados, como peixes, siri, agulha, marisco, sururu e o famoso bacalhau, a grande atração da Páscoa.

Foi nisso que apostou também a loja Âncora Pescados, que já tinha um foco nos peixes frescos e nos crustáceos congelados. Em baixa, o camarão ocupa pouco espaço no freezer, enquanto o salmão, o atum, cavala, tilápia, entre outros, fazem sucesso no refrigerador, onde se mantêm fresquinhos.


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