“Morar em Boa Viagem é massa!”, foi assim que teve início minha conversa com Pedro Dália logo que sentamos sob um guarda-sol na praia. “Já morei em vários bairros, principalmente na Zona Norte, e em nenhum lugar eu tive o que tenho aqui”, continuou.

Enquanto não começávamos a análise dos caldinhos da praia, conversamos sobre várias coisas, e este assunto foi o menos fútil. Pedro não enxerga o bairro da mesma forma que O Som ao Redor a que Caetano Veloso fez referência na última semana.

“Eu consigo fazer tudo a pé. Vou à padaria, ao supermercado e só não vou ao shopping porque é mais longe para trazer as sacolas”, comentou.

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“Eu gosto muito do filme, mas essa não é a minha realidade aqui. Claro que o isolamento das pessoas existe e não é só em Boa Viagem. Isso é um fenômeno que ocorre em toda cidade grande”, analisou.

“Boa Viagem é o bairro mais extraordinário em que eu já vivi. Qual é o lugar que você vai numa padaria às 6h e dá de cara com um senhor de sunga tomando cerveja com uma raquete de frescobol em baixo do braço antes de ir para o mar?”, indagou.

“É o bairro que mais tem ações coletivas. As pessoas se juntam para fazer exercícios, correr. Tem grupos de carros antigos, de motos”, contou.

Existe o Recife lá dentro, ou não, como diria Caetano Veloso

Ele citou ainda os botecos de calçada que existem em Boa Viagem, onde encontra velhos amigos e faz novos. “Tem Deca, Paulinho e outros, que são botecos simples e que juntam a galera”.

Pedro passou parte da infância e maior parte de sua adolescência em Boa Viagem, mas morou também na Torre, no Espinheiro, nas Graças, em Piedade, no Poço da Panela, nos Aflitos e na Jaqueira.