O Expressinho do Pina foi um time amador que marcou época no bairro e era o orgulho de todo boleiro que morasse pelas bandas de cá nos anos 1980 e 1990. Nunca disputou um campeonato como profissional, mas já constrangeu grandes clubes, como Santa Cruz e Náutico.

Por jogar no Expressinho, os jogadores – em sua maioria moradores do Pina e de Brasília Teimosa – não recebiam salários, mas quem sofria alguma lesão não ficava desamparado. Foram revelados vários jogadores para equipes profissionais.

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Mas o maior dia da história do Expressinho foi quando ele ganhou a Segunda Divisão do Campeonato Pernambucano, em 1993. A final foi contra o Bonsucesso, de Olinda, no Campo do Derby (aquele em frente ao Quartel da Polícia Militar).

Os pinenses abriram o placar ainda no primeiro tempo. Bastou chegar o intervalo que começou a guerra psicológica entre os técnicos. O comandante do Bonsucesso precisava de algum artifício para, pelo menos, preocupar o time do Expressinho e chamou um radialista que cobria o jogo e mandou um recado: “diga ao lado de lá que nosso time vai fazer dois gols no segundo tempo”.

A resposta de Everaldo, o técnico do Expressinho, não teve arrodeios: “pois diga que, se eles fizerem dois, a gente faz três”. Do jeito que os treinadores prometeram, os jogadores cumpriram no segundo tempo, e o jogo terminou 4×2 para o Expressinho do Pina.

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Expressinho do Pina, o time amador que arrastava a torcida do bairro (foto: reprodução)

Com o título, conseguiu a vaga na Primeira Divisão do Estadual de 1994. Porém o presidente da época, Eraldo de Almeida, abdicou da vaga por falta de dinheiro e estrutura para se profissionalizar. Essa história de profissional, padrão Fifa, padrão daquilo não era a praia deles.

A praia do Expressinho era agregar a vizinhança, fosse em dias de jogos, fosse nas festas que organizava para arrecadar fundos. E assim foi, na palavra, que o time marcou época no futebol amador recifense.