Já contamos aqui a história da origem do nome Pina, falamos de personagens importantes de Brasília Teimosa – como Padre Jaime e Ricardo Brindeiro – e escrevemos também sobre como se deu o processo de ocupação de Boa Viagem. Agora é a vez de falar como a região do Pina foi ocupada definitivamente como um bairro.

De acordo com o livro Histórias do Pina, do pesquisador e professor Oswaldo Pereira, depois de ser explorada pelos irmãos Pina, depois pelos holandeses e depois usada pela Santa Casa de Misericórdia, a região finalmente foi inserida no plano de desenvolvimento e modernização do Recife nos meados do século XIX, que se apropriou dos terrenos para o reaparelhamento do Porto. A Capitania dos Portos se encarregou de construir as oficinas para reparos de navios.

Uma das obras foi a construção do dique (onde hoje fica o Parque das Esculturas de Brennand), os pescadores do Cabanga perderam o acesso ao mar de fora e resolveram se mudar para o Pina. Eles se juntaram aos trabalhadores das oficinas, que também se mudaram para a região, já que não era fácil atravessar da cidade para as ilhas.

“A população das ilhas do Pina alem dos funcionários do porto, era constituída basicamente de pescadores jangadeiros, marisqueiros, canoeiros e ex-escravos, gente sem qualificação profissional, expulsa de outras áreas mais centrais da cidade do Recife, que encontravam naquele local, pescaria abundante para subsistência da família”, conta o livro.

“As casas dos pescadores eram poucas, feitas de pau de mangue com as paredes e o telhado de palha de coqueiro”, acrescenta. Primeiramente, as construções eram feitas nas áreas mais altas das ilhas, “sem delimitação de lotes, acomodando-se às condições da topografia da área”.

Entre as décadas de 1910 e início de 1930, começaram os primeiros adensamentos, configurando os arruados e a definição das primeiras quadras ou quarteirões. Só depois, com o adensamento ainda maior, é que as novas habitações passaram a ser construídas nas áreas alagadiças.

“…Primeiro construía-se um retângulo de tábuas encravado no chão e ia-se colocando lama até atingir a altura das tábuas; no processo, a água escorria e o chão de terra batida estava pronto para receber a casa de palha”, conta o livro.

Uma coisa podemos constatar que existe no bairro desde suas primeiras famílias é a solidariedade. Isso porque Oswaldo conta em Histórias do Pina que os sítios eram desmembrados para dar moradia a algum parente que aderia à moradia no bairro. Hoje, as casas são repletas de puxadinhos e ganhando novos pavimentos para abrigar filhos e outros parentes. Tá. Alguns são moradia pra alugar mesmo. Mas ainda rola o puxadinho pros filhos que tão casando.