Se no verão é comum ver a praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, cheia de cadeiras e guarda-sóis, durante o inverno os dias com esse visual são mais raros. E o que os barraqueiros tanto da areia quanto do calçadão fazem para se manterem, já que os dias de trabalho na praia são mais difíceis?

O PorAqui ficou curioso e foi conversar com essa turma para saber como o pessoal tem se virado.

Jairo Alves, que tem uma barraca nas proximidades do Hotel Jangadeiro, é um exemplo dos que têm uma vida profissional dupla. Nos dias em que as chuvas impedem o lucro na praia, ele atua na construção civil como pintor.

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“Nosso trabalho é como o das formiguinhas. Temos que trabalhar no verão pra ter o que comer no inverno. E, em época de chuva, como esta, eu faço uns trabalhos por fora”, conta. Segundo ele, a barraca na praia em dia de chuva é um prejuízo de aproximadamente R$ 100. “Isso só as despesas, sem contar o valor investido nas mercadorias”, acrescenta.

Para este ano, Jairo ganhou um reforço na renda, que vem do serviço de fornecimento de comida montado junto com um sócio. “Eu montei essa cozinha industrial de onde eu forneço alimento para alguns lugares”, explica.

Sem extra

Por outro lado, a dona de um quiosque no Calçadão, Flávia Souza, não tem possibilidade de fazer renda extra. “A gente tá acostumado a viver em baixa estação, mas este ano tá muito difícil. Eu dependo exclusivamente do quiosque. E agora a situação tá muito difícil, tanto por causa da crise quanto por causa do inverno”, comenta.

“Tem dia que o faturamento é praticamente zero, porque eu não considero um lucro de R$ 50 como lucro, diante dos gastos e do trabalho que eu tenho”, acrescenta. Durante o verão, Flavia chegou a contar com duas funcionárias, além de seu filho, mas desde que as chuvas deste ano chegaram, só trabalham lá ela e o garoto.

Só no último mês de julho, o Recife recebeu mais de 441 milímetros de chuva, enquanto que a média para o período é de 385 milímetros.