Para quem chegou nas quadras para ajudar a pegar as bolas e agora está disputando competições, não está nada mal para Edy Oliveira. Morador da Comunidade Beira do Rio, o menino de 10 anos começou a frequentar o Squash Tennis Center, em Boa Viagem, para acompanhar o pai, que é professor da modalidade no local e, assim como começou o pai, também pegava as bolas e brincava nas dependências da academia.

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“Edy chegou aqui participando o programa Tennis Para a Vida, no qual nós incluímos as crianças da nossa comunidade vizinha na prática do tênis, e ele tem dado esse retorno dentro de quadra”, comenta Mônica Barros, coordenadora do projeto.

Foto: Geraldo Lélis/PorAqui

O fruto é que, desde a temporada passada, Edy e Henrique, outro aluno da escolinha do Squash, têm colecionado medalhas nos torneios que disputou. Na última semana, os dois participaram de dois torneios no Rio Grande do Sul e voltaram com um vice-campeonato no torneio de simples e outro no de duplas do Banana Bowl.

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“Quando disseram que eu ia competir, eu já gostei logo, porque sabia que ia ser uma experiência boa, e fui sem medo”, conta Edy, que já tem o próximo objetivo: vencer seu algoz da final do Banana Bowl, o gaúcho Pedro Dietrich, também de 10 anos. Eles devem se cruzar no Campeonato Brasileiro da categoria, que deve ocorrer no segundo semestre.

Foto: Geraldo Lélis/PorAqui

No Squash Tennis Center, a história de Edy é uma repetição do que acontece há 30 anos, desde a inauguração da academia. “Começamos fazendo a política da boa vizinhança e convidando as crianças para praticar o tênis. Tanto é que as nossas portas, tanto a da frente quanto a dos fundos, ficam abertas o dia todo, e as crianças entram e brincam aqui a hora que querem”, conta Mônica.

“Quando estão em horas vagas, os professores dão aula para os meninos, que vão sendo introduzido no esporte”, acrescenta. “Desde então, nós já introduzimos mais de mil pessoas no tênis e temos exportado professores para trabalhar em outras academias que oferecem tênis por aí afora. Um deles foi morar na Itália”, completa a coordenadora.

Hoje Edy treina com a equipe de competições, junto com Henrique, que é neto do idealizador do Squash, Helso Barros. “Esses resultados mostram que Pernambuco está chegando no cenário do tênis brasileiro, e esses meninos são referência para os outros garotos que estão começando”, afirma.

“Nesses últimos anos surgiram outros atletas que foram bem em competições, como João Reis, que é o líder do ranking brasileiro dos 17 anos, mas Henrique e Edy se mostram com um potencial ainda maior, porque eles estão chegando com uma bagagem maior de base”, completa.

Enquanto não estão dando suas primeiras raquetadas nas competições, Henrique e Edy admiram o nº 1 do mundo no esporte, o suíço Roger Federer. “Eu gosto da calma com que ele encara as partidas”, diz Henrique Queiroz.