Em meio a tantas facilidades que contribuem para jovens entrarem para o mundo das drogas e do crime, o Projeto Brasília Teimosa Driblando o Crack, na Zona Sul do Recife, tenta remar contra essa maré. O professor de Educação Física, Luiz Ferreira, de 49 anos, usa o futebol para ocupar o dia de crianças e adolescentes em um dos campos da orla de Brasília Teimosa.

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Única exigência para participar é que as crianças estejam frequentando a escola (foto: divulgação)

Cerca de 120 crianças de 5 a 16 anos participam dos treinos às terças e quintas-feiras no turno da tarde e aos sábados pela manhã. “A nossa proposta principal não é formar jogador. Claro que alguns se destacam no aprendizado e acabam chamando a atenção de outras escolinhas, mas o objetivo aqui é incluir”, explica Luiz, citando que um dos meninos foi chamado para fazer aulas no Sport.

A única exigência é que o garoto esteja frequentando a sala de aula. “Aqui treinam também crianças especiais misturadas. Não fazemos divisão em relação a isso. Só por idade”, acrescenta o professor, que coordena o projeto em Brasília há 8 anos e conta com alguns voluntários.

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“A gente treina fundamentos, bota para jogar entre eles e, quando podemos, vamos a campeonatos”, conta. “Só não vamos quando é cobrada alguma taxa de inscrição, porque nem o projeto tem dinheiro, nem as crianças têm condições de arcar com nada”, completa.

Financiamento

O projeto é totalmente gratuito e vive de doações. Sempre que precisa de algum material, Luiz pede um patrocínio ao comércio local. “Aqui, nem eu recebo nada, nem as crianças pagam nada. A maioria é família carente. E outro motivo é que eu faço questão de incluir, e se fosse algo pago, muitas mães não deixariam as crianças virem”, comenta.