O protesto que bloqueou por meia hora a Av. Domingos Ferreira, nesta quinta (3), foi realizado por representantes de um grupo de cerca de 80 famílias que moram em um terreno batizado por eles de Sítio dos Pescadores, na Comunidade do Bode, no Pina, Zona Sul do Recife. Eles reivindicam a suspensão do mandado de reintegração de posse da área e a retomada de negociações.

O terreno em questão pertence à Pernambuco Participações e Investimentos (Perpart) — uma empresa estadual de economia mista. “Nós ouvimos do Governo do Estado que existe um projeto para ser construída uma escola no local. Caso esse projeto exista, nós queremos uma garantia de que as famílias serão incluídas em algum conjunto habitacional”, explica Rud Rafael, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

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“Nosso objetivo no protesto de hoje (3) foi dar visibilidade a essa causa, para que a sociedade não fique sabendo apenas quando a polícia chegar com a ordem de despejo”, acrescenta Rud.

Manifestantes bloquearam a Av. Domingos Ferreira durante a manhã desta quinta-feira (3)

Após o protesto, o grupo foi recebido na Prefeitura do Recife pelo diretor executivo de Relações Institucionais, Henrique Leite, e pelo secretário executivo de Planejamento, Leo Bacelar. Na conversa, os manifestantes cobraram uma política de habitação mais atuante e tiveram como resposta a marcação de um novo encontro na próxima terça-feira (8).

“Em virtude da ação judicial e do mandado de reintegração de posse, a gente pede que a Prefeitura interceda, junto ao Governo, a favor da suspensão do mandado e a retomada de negociações”, conta Severino Alves, também integrante do MTST.

Maioria das famílias é de pescadores que moravam à beira do manguezal do Pina

Além disso, uma reunião com o Secretário Estadual de Habitação, Kaio Maniçoba, está agendada para a próxima segunda-feira (7). “Se é para construir uma escola na área, nós não vamos discutir a posse do terreno, mas queremos atrelar a saída à construção de um habitacional”, reforça Severino.

O terreno, que fica entre as ruas Artur Lício e Eurico Vitrúvio, foi batizado pelos moradores de Sítio dos Pescadores porque abriga famílias de pescadoras que foram retiradas de palafitas localizadas na margem do manguezal.